A crise dos organismos internacionais, como a ONU, não deve levar a eliminá-los, mas a reforçá-los para que desempenhem sua função original, considera o Arcebispo Renato Martino, um importante representante da Santa Sé. D. Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e a Paz, esclareceu esta quinta-feira, 19 de Junho, questões fundamentais da doutrina social da Igreja sobre a assim chamada «governance global» ao encerrar o Congresso das Cáritas diocesanas da Itália, celebrado em Orosei (Sardenha) com o tema «Opções de justiça, caminho de paz». A constante referência de João Paulo II à ONU – antes, durante e depois da guerra do Iraque – não implica uma aprovação de sua estrutura atual ou das relações de força que acontecem na mesma. «Quer que seja melhor – sublinha o arcebispo, que foi observador permanente da Santa Sé na ONU durante 16 anos – e lançou um forte apelo aos ideais que guiam a ONU e que são o fundamento de qualquer outro organismo internacional». O Arcebispo Renato Martino sublinhou que os instrumentos para uma autoridade de «governo global», cada vez mais necessários, devem ser construídos pacientemente sobre o cimento da unidade da família humana e a seu serviço para superar «os interesses particulares». «É o momento de trabalhar todos juntos para construir uma espécie de engenharia constitucional da humanidade, que não dê vida a um super-Estado mundial, mas que – como sugere a «Pacem in Terris» de João XXIII – continue e aprofunde no processo já em acto de construção participada de níveis transparentes e articulados de autoridade». «Se querem que a paz não seja somente a consequência de uma violência imposta – que entre outras coisas promove novos conflitos – e de longa e esgotadoras negociações é necessário que surjam de valores efectivamente compartilhados e vividos».

Partilhar:
Share