Propostas do biblista no programa Ecclesia, emitido na RTP12, onde analisa a liturgia do próximo domingo

Foto vallboi.cat

Lisboa, 20 ago 2021 (Ecclesia) – O padre Armindo Vaz, biblista, sugere para o tempo de férias a leitura do clássico ‘A Divina Comédia’, de Dante Alighieri, nos 700 anos da sua morte, e uma viagem até ao património cultural de Vall de Boí, em Espanha.

No programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP 2, o professor de Sagrada Escritura da Faculdade de Teologia, da Universidade Católica Portuguesa, sugere aos telespetadores uma visita às igrejas de Vall de Boí e que entrem em contacto com “um conjunto cultural de arte pintura”.

O padre Armindo Vaz explica que, “sobretudo no século XI e XII”, os senhores feudais “tiveram a inteligência” de convidar artesãos artistas para construírem igrejas e depois chamaram “pintores do norte de Itália” que transportaram para aquela região “o românico lombardo”.

Para além do património cultural e artístico, esta viagem à região norte de Lérida e Huesca, na parte sul dos Pireneus, o biblista destaca que é também um convite a observar a natureza.

“Os Pirenéus são de uma beleza extraordinária mas aqueles vales são todos de visitar”, realçou o sacerdote da Ordem dos Carmelitas Descalços da sua proposta “agradável e maravilhosa mas exigente”, que é uma “maratona”.

Como sugestão de leitura para as férias, o investigador de Sagrada Escritura escolheu um clássico, “são sempre bons conselheiros e bons companheiros de viagem” que contêm “motivos literários, temáticos, princípios básicos, símbolos”, “sobretudo os grandes clássicos da antiguidade clássica grega e latina”.

Neste contexto, indica que escolheu ‘A Divina Comédia’, clássico da proto-renascença italiana de Dante Alighieri, em concreto a edição do poeta Vasco Graça Moura, que no seu livro apresenta numa página a versão italiana original e na outra a tradução em português.

“Uma obra atualíssima, convém usar uma clave de leitura, ‘A Divina Comédia’ arranca da própria experiência do poeta, por razões políticas foi exilado, mando para fora de Florença, e andou de terra em terra e quando fala dos peregrinos fala da sua própria experiência”, acrescenta, realçando que Dante “quer falar da condição humana”.

No programa onde comentou a liturgia do próximo domingo (o XXI do Tempo Comum), o professor de Sagrada Escritura (UCP) recorda que desde 25 de março em Itália e várias regiões do mundo estão a celebrar os 700 anos da morte Dante Alighieri, em 1321, com diversas homenagens e celebrações.

Neste contexto, o sacerdote destacou ainda que o Papa Francisco escreveu “a magnifica” carta apostólica ‘Candor Lucis Aeternae’ (Esplendor da Luz Eterna), para assinalar este aniversário da morte do poeta italiano, que apresenta como “profeta de esperança e testemunha da sede de infinito”.

Armindo dos Santos Vaz nasceu a 6 de agosto de 1944, em Chaves, e pertence à Ordem dos Carmelitas Descalços, onde fez os votos solenes, em Roma, a 8 de dezembro de 1965, dia de encerramento do Concílio Vaticano II.

Ordenado padre em 1969, Armindo Vaz colaborou no Instituto Superior de Estudos Teológicos, no Porto, em 1973/74 e é docente da Faculdade de Teologia desde 1978/79.

PR/CB

 

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