Açores: Responsável diocesano pelos Bens Culturais da Igreja defende necessidade de uma «ética patrimonial»

Padre Duarte Melo falou no âmbito do dia nacional do setor

Angra do Heroísmo, 18 out 2014 (Ecclesia) – A Diocese de Angra aderiu ao Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, que se assinala hoje, com um projeto em que desafia todas as paróquias açorianas a exporem durante um mês uma peça emblemática do seu espólio.

Em entrevista ao portal “Igreja Açores”, o padre Duarte Melo, responsável pelo setor diocesano dos Bens Culturais, explica que o principal objetivo é sensibilizar as comunidades católicas do Arquipélago a zelarem pela “valorização e salvaguarda” de um património por vezes pouco acautelado.

O sacerdote dá como exemplo os casos, que se têm sucedido, de “intervenções” desadequadas sobre o património, “principalmente por falta de conhecimento, por ignorância”.

“Outro grave problema”, segundo aquele responsável, tem sido “a apropriação indevida dos bens culturais e patrimoniais da Igreja”, quando estes “são de todos”.

Para o padre Duarte Melo, é urgente afirmar “uma ética patrimonial que trave a barbárie das intervenções desregradas” e proteja um espólio que está sobretudo “ao serviço da liturgia e do culto”, que funciona como “mediação” entre as pessoas e Deus.

A edição deste ano do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, cuja comemoração oficial vai decorrer em Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, tem como tema “Comunicar o Património”.

Ao desafiar as paróquias a divulgarem o seu espólio, a Diocese de Angra espera também “aproximar-se” mais das comunidades locais, dos seus sacerdotes, favorecer a informação e a formação, a fim de “consolidar uma rede de defesa patrimonial”.

Só quem tem “consciência do valor dos seus bens” é que pode estar verdadeiramente empenhado na sua preservação, aponta o padre Duarte Melo.

O sacerdote realça que, apesar das dificuldades atuais, já é possível detetar uma “mudança de atitude” entre os agentes pastorais açorianos, que “de uma maneira geral estão mais atentos” a estas problemáticas.

 As “parcerias” estabelecidas com o poder político regional, no âmbito deste setor, são um pilar essencial neste esforço de “defesa do património”, até porque pelo menos “13 imóveis religiosos estão sobre a tutela do Governo dos Açores”, complementa.

Um dos protocolos estabelecidos tem em vista a “inventariação do património móvel e imóvel” da Igreja Católica no arquipélago.

Quanto a projetos futuros, a Diocese de Angra quer criar condições para lançar “uma boa publicação sobre o património” religioso açoriano, que sirva também como “elemento de afirmação cultural e de promoção” do território junto de visitantes e turistas.

IA/JCP

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