O embaixador de Israel na Santa Sé, Oded Ben Hur, manifestou-se confiante em concluir os acordos diplomáticos entre Israel e a Santa Sé até finais de 2004, ou o mais tardar, até aos primeiros meses de 2005. “O nosso governo está absolutamente decidido a concluir os acordos para o fim de ano”, referiu à Asianews. Apesar deste optimismo, vários responsáveis do Vaticano manifestaram-se desiludidos com a maneira como se desenrolaram as últimas negociações com o Estado de Israel, onde não se registou nenhum tipo de avanço. Há quase um ano que as negociações tinham sido interrompidas por decisão unilateral do Governo israelita. As duas delegações voltaram, esta semana, a sentar-se à mesma mesa para reavaliar o acordo financeiro que estava em curso entre os dois Estados, quando tudo ficou suspenso. Em cima da mesa das negociações há três assuntos fundamentais para discutir: o estatuto fiscal da Igreja, a partir dos tratados internacionais anteriormente existentes; a recuperação pela Igreja dos bens eclesiásticos expropriados pelo Estado nos últimos anos; e a colaboração do Estado de Israel no apoio às obras sociais e educativas que a Igreja tem espalhadas pelo território, a favor das populações locais. “Quando a delegação da Santa Sé chegou à mesa de negociações, a parte israelita disse que não tinha poder para abordar nenhuma dessas matérias”, disse fonte do Vaticano à agência norte-americana Catholic News Service. O atraso nas negociações sobre a parte financeira do acordo de 1994 tem sido uma fonte de tensões entre o Vaticano e Israel. O documento limita-se a enunciar os grandes princípios reguladores das relações entre a Igreja e o Estado, enquanto que a sua colocação na prática foi proposta numa série de acordos complementares – a negociar sucessivamente – que assegurariam a liberdade e os direitos da Igreja em Território israelita. Estas negociações até agora produziram um único acordo em 1997: o reconhecimento civil da personalidade jurídica da Igreja e dos entes eclesiásticos, mas isso não se transformou ainda em lei do Estado. Para o embaixador Hur, não há que avaliar negativamente a reunião de 5 de Julho. “Este encontro era protocolar, para mostrar que as relações vão adiante após o congelamento do ano passado”, afirmou. Na opinião do diplomata, é necessário ver o processo com muita paciência, pois a lentidão com que se trabalhou nestes meses “obedece à dificuldades de encontrar os termos legais, à necessidade de rever leis tradicionais e modernizá-las, e encontrar o modo de valorizar a relação com a comunidade católica sem diminuir a cautela para com a multiplicidade de religiões que há em Jerusalém”.
