Católicos e Ortodoxos desafiados a uma maior colaboração João Paulo II manifestou neste Domingo a sua convicção de que a força do diálogo é capaz de superar os problemas e mal-entendidos que hoje separam católicos e ortodoxos. O Papa fez um balanço da visita do Patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, “primus inter pares” das Igrejas ortodoxas, que de esteve em Roma de 28 de Junho a 2 de Julho, para a celebração da solenidade do santos Pedro e Paulo. No ano em que se celebra o quadragésimo aniversário do histórico abraço entre o Papa Paulo VI e o Patriarca ecuménico Atenágoras I, João Paulo II revela que “pudemos abordar alguns problemas e mal-entendidos surgidos recentemente, oferecendo um sinal concreto de como os cristãos podem e devem colaborar sempre, inclusive quando se dão divisões e conflitos”. Segundo o líder da Igreja Católica, esta “é uma maneira eloquente de anunciar o Evangelho da paz num mundo infelizmente marcado por desequilíbrios e violências”. O Papa vincou que “reconhecendo os passos positivos dados até agora e sem esquecer dos obstáculos que ainda subsistem, reafirmamos a vontade de continuar, e mais, de intensificar o diálogo ecuménico, seja ao nível de relações fraternas (diálogo da caridade) seja na confrontação doutrinal (diálogo da verdade)”. “A visita patriarcal serviu para recordar que católicos e ortodoxos estão chamados a trabalhar juntos para que o continente europeu não esqueça suas próprias raízes cristãs”, acrescentou. Novos caminhos para o ecumenismo Como balanço da sua presença em Roma, Bartolomeu I, que já estivera com o Papa em 1995 e 2002, afirmou que este tinha sido o encontro “mais frutuoso, mais humano e mais verdadeiro”, que decorreu num clima cordial. A visita de Bartolomeu I ao Vaticano acabou por ser mais um passo importante no relançamento do diálogo entre a Santa Sé e a Ortodoxia. O Patriarca participou, com João Paulo II, na celebração litúrgica do dia de São Pedro e São Paulo, e ambos assinaram uma declaração comum afirmando a vontade mútua de colaborar. Os líderes das Igrejas Católica e Ortodoxa reconhecem neste documento que é importante que os cristãos vivam entre si em paz e harmonia, tendo em vista “um testemunho mais credível e convincente do Evangelho”. O texto, com 11 pontos, dá um destaque particular ao contexto europeu, em que se vive um processo de integração e alargamento para Leste, algo que João Paulo II e Bartolomeu I consideram “um desenvolvimento positivo”, na esperança de que assim cresça a colaboração entre católicos e ortodoxos. As Igrejas pretendem enfrentar em conjunto uma série de desafios actuais: “curar com amor a praga do terrorismo, infundir uma esperança de paz, contribuir para sarar todos os conflitos dolorosos, restituir ao continente europeu a consciência das suas raízes cristãs e construir um verdadeiro diálogo com o Islão, porque da indiferença e da ignorância recíproca apenas pode nascer o ódio”. Apesar dos “muitos passos positivos” que o Papa e o Patriarca de Constantinopla assinalam, a declaração comum não esconde os obstáculos que o caminho ecuménico tem encontrado desde o histórico encontro entre Paulo VI e Atenágoras I, em Jerusalém, no ano de 1964. “Os novos problemas, surgidos das profundas mudanças socio-políticas acontecidas na Europa, não deixaram de ter consequências nas relações entre as Igrejas cristãs”, assume-se no documento. Entre essas mudanças contam-se o regresso à liberdade dos cristãos da Europa central e de Leste. A exortação pede “que seja reactivado o mais rapidamente o trabalho da Comissão mista internacional para o Diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa”, que praticamente deixou de existir nos últimos anos. “É nosso dever continuar com um compromisso decidido de reactivar esses trabalhos quanto antes”, escrevem João Paulo II e Bartolomeu I.
