Cardeal Sodano reconhece que os resultados «não foram os desejados» O cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano, redigiu uma carta para agradecer o governo polaco pelo compromisso em propor a inserção de uma referência às raízes cristãs da Europa na Constituição Européia. A carta, datada de 19 de Junho, é dirigida ao primeiro-ministro Marek Belka. O Cardeal Sodano reconhece que acompanhou com atenção a reunião de chefes de Estado e de governo da União Europeia, em Bruxelas, onde foi adoptado o Tratado Constitucional. “Quero expressar-lhe hoje o sincero apreço e gratidão da Santa Sé pelas iniciativas de Vossa Excelência e do governo polaco durante as negociações e durante o recente encontro no apoio da introdução de uma referência à herança cristã no Preâmbulo do Tratado”, afirma o Secretário de Estado do Vaticano. “Ainda que os resultados não tenham sido os desejados, é importante que esta causa tenha sido promovida por alguns dos principais países líderes da União”, reconhece. O Cardeal mostra-se ainda reconhecido pelo esforço do governo polaco, que considera “fiel aos valores mais profundamente arraigados na história e na vida do povo da Polónia”. O Papa agradeceu ele próprio, no passado Domingo, ao seu país de nascimento, cujo governo se esforçou até o final por uma referência à herança cristã no Tratado constitucional: “agradeço à Polónia, que no fórum europeu defendeu fielmente as raízes cristãs de nosso continente, das quais surgiu a cultura e o desenvolvimento da civilização de nosso tempo”, afirmou. O Conselho Europeu conseguiu chegar a acordo na passada sexta-feira sobre aquela que será a primeira Constituição Europeia. Os chefes de Estado e de Governo da UE protagonizaram um momento histórico em Bruxelas, mas o texto constitucional deixou de fora algumas evidências históricas, entre as quais a total ausência a uma referência à herança cristã na Europa. João Paulo II manifestou publicamente o seu descontentamento perante a redacção final da Constituição da União Europeia, na qual não se faz alusão ao papel do Cristianismo na construção do Continente. “As raízes em que temos origem não podem ser cortadas”, afirmou com energia o Papa, falando em polaco, antes de despedir-se dos peregrinos reunidos na praça de São Pedro para rezar o Angelus. Também as Igrejas cristãs da Europa se manifestaram profundamente desiludidas com a redacção final da Constituição Europeia. A Comissão dos episcopados católicos da UE (COMECE) fala mesmo de uma “oportunidade perdida para construir um futuro aberto a todos na base do nosso património”.
