Avaliação de Alfredo Teixeira aos 25 anos de Pontificado de João Paulo II Este Pontificado é marcado pela “religiosfera” porque João Paulo II escolheu como interlocutor do seu pontificado “as grandes tradições religiosas” – salientou à Agência ECCLESIA Alfredo Teixeira, professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP). Num colóquio organizado pela Sociedade Científica da UCP, dia 26 e 27 deste mês, para homenagear os 25 anos de Pontificado de João Paulo II, Alfredo Teixeira, um dos conferencistas, realçou que o Papa ao dialogar com estas tradições religiosas “está a potenciar o valor da paz entre os povos”. Durante estes 25 anos de Pontificado, João Paulo II aparece com três dimensões: “Papa peregrino e itinerante”; “um Papa polaco caracterizado nas suas ideias e modos de intervenção na sociedade” e “aquele que representa a Igreja Católica na cátedra de Roma”. Estas facetas – acentua este professor da Faculdade – explicam-se pela “consagração da individualidade”. Para este professor, actualmente, as pessoas não acolhem uma mensagem simplesmente pela função da “autoridade institucional”. A mensagem só tem crédito se “existir autenticidade”. Quando falamos destas três dimensões de João Paulo II “estamos a referirmo-nos à sua trajectória pessoal que é um lugar de crédito”. Ao olhos das pessoas, a dimensão de itinerância é um “emblema deste Pontificado”. E adianta: “nunca nenhum papa teve um comportamento semelhante”. Uma trajectória nova que entra em “ruptura com o comportamento habitual dos seus antecessores” – sublinhou Alfredo Teixeira. Ao nível dos gestos simbólicos, este professor da Faculdade de Teologia esclarece que João Paulo II também “soube pedir perdão”. Independentemente do “anacronismo deste perdão em termos históricos”, com este gesto João Paulo II reconheceu “perante os outros” que antes eram considerados “inimigos ou exteriores”. Comportamentos que entram no domínio da eficácia “espiritual dos gestos”. No quadro das relações com as outras religiões, Alfredo Teixeira destaca como momento mais marcante deste Pontificado, “o Encontro de Assis”. E concluiu: “é uma das imagens símbolo do século XX”.
