Igreja/Portugal: «Há pessoas que descobrem a Pastoral Universitária no final do curso», lamentou diretor do Serviço Nacional do Ensino Superior

Padre Miguel Gonçalves Ferreira salienta que querem ajudar cada um a fazer «um percurso de fé, e um percurso de encontro»

Lisboa, 14 set 2026 (Ecclesia) – O diretor do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior (SNPES) afirmou que o modo de fazer pastoral universitária “não pode dispensar” o digital, e lamentou que existam estudantes que descobrem esta proposta na “bênção dos finalistas”.

“Há pessoas que descobrem, isto é bastante comum, a Pastoral Universitária no final do curso, quando é preciso inscrever-se para a bênção de finalistas. Há vários anos que me dedico à Pastoral Universitária, e sempre vi isso como um fracasso da nossa proposta, porque se durante tantos anos as pessoas não perceberam que havia uma proposta e uma possibilidade de fazer caminho, significa que algo da nossa parte não esteve bem ou foi omisso”, disse o padre Miguel Gonçalves Ferreira, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Para o sacerdote da Companhia de Jesus (jesuíta) é preciso “ir mais além e ser mais proactivos na divulgação”, a bênção de finalistas “é um grande acontecimento”, que corre o risco de ser “um bocadinho exterior, e não muito significativo”, para o percurso espiritual durante a universidade, os números de participação “não quadram, nem casam bem com a atividade ao longo do ano”.

Sobre o desenvolvimento das tecnologias digitais, da Inteligência Artificial, o diretor do SNPES assinala que “os mais novos vão mais à frente, são mais proactivos e mais criativos”, e que o modo de fazer Pastoral Universitária “já não pode dispensar redes sociais, não só divulgação, mas também anúncio e da presença” nessas realidades digitais

A Pastoral Universitária da Igreja Católica está presente no mundo universitário, “em alguns sítios, dentro da Universidade, em outros sítios na cidade”, para ajudar cada um a fazer “um percurso de fé, e um percurso de encontro”.

“Para que o tempo da universidade possa também ser de retomar, de aprofundar, de refazer o próprio percurso de fé. E aí, nos diversos locais, também com esta diversidade, seja de espaços para estudar, para estar, ofertas formativas a nível cristão, de preparação para os sacramentos”, acrescentou o convidado do Programa ECCLESIA desta segunda-feira, na RTP2.

Segundo o padre Miguel Gonçalves Ferreira, hoje, para alguns estudantes o tempo da universidade é também o tempo em que “procuram retomar, por exemplo, a preparação para o batismo, para a confirmação, para a primeira comunhão”, e realça que se está num tempo em que “os jovens manifestam um renovado interesse e que se assiste a uma forma mais descomplexada de estar diante da fé”.

Foto: SNPES; Encontro Docentes e Investigadores do Ensino Superior 2017

O sacerdote jesuíta destacou a ação dos Centros Universitários da Companhia de Jesus, que estão a comemorar 50 anos, e que “inauguraram um estilo e uma presença no mundo da universidade original e com bons frutos”, e a ‘Missão País’, que tem várias décadas, e “vai crescendo em tamanho e em apoios”, chega a mais universidades “e também a mais realidades no interior”, e “é um enorme projeto de formação de lideranças”.

O Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior, da Igreja Católica em Portugal, segundo o seu diretor, procura coordenar, “no sentido de congregação”, as realidades da Pastoral Universitária nas várias dioceses, que é “muito diferenciada no país”, dos grandes centros urbanos para as “cidades mais pequenas”.

Das atividades para ano académico 2026/2027 que está a começar destacou o Encontro Nacional da Pastoral do Ensino Superior, nos dias 12 e 13 de março de 2027, em Fátima, “que é de alguma formação, de celebração” do mundo universitário que “será muito interessante e muito boa”.

O padre Miguel Gonçalves Ferreira também comentou o início do ano académico, a importância das universidades para o interior de Portugal, e dos estudantes estrangeiros, e as praxes.

PR/CB/OC

Ensino Superior/Portugal: Diretor do serviço pastoral destacou relevância das universidades para o interior e estudantes estrangeiros

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