Conferência internacional decorre na capital do Laos

Vienciana, 14 set 2026 (Ecclesia) – A Santa Sé condenou hoje o uso contínuo de munições de dispersão e apelou à ratificação universal do tratado internacional que as proíbe, numa declaração proferida na capital do Laos.
“A Santa Sé deplora o facto de as munições de dispersão, que têm consequências devastadoras a longo prazo para as vítimas e para as terras, continuarem a ser produzidas, armazenadas, transferidas e, mais preocupante ainda, utilizadas em conflitos armados”, afirmou o arcebispo Ettore Balestrero, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.
A intervenção decorreu durante a III Conferência de Revisão da Convenção sobre Munições de Dispersão, no momento de análise do oitavo ponto da agenda dos trabalhos diplomáticos.
O chefe da delegação do Vaticano sublinhou que estes engenhos criam feridas que “danificam a própria estrutura da vida”, afetando o tecido social das comunidades humanas.
O diplomata considerou “um sério desequilíbrio” a canalização de uma quota desproporcionada de recursos para o armamento, face à escassez de financiamento para promover o desenvolvimento humano integral.
D. Ettore Balestrero ilustrou a denúncia lembrando que as despesas militares globais “dispararam” no decorrer do último ano.
A intervenção argumentou que os tratados de desarmamento constituem mais do que meras obrigações legais, representando “compromissos morais perante as gerações presentes e futuras”.
O arcebispo sustentou que a adesão e o respeito pelos acordos devem ser vistos como “nobre fonte de força e uma responsabilidade solene” para aqueles que procuram salvaguardar a vida.
A intervenção saudou as conquistas alcançadas nos 16 anos passados desde a primeira reunião de Estados-Membros em Vienciana, mas lamentou o ritmo “modesto” de universalização do instrumento e a recente retirada de um Estado (Lituânia).
Portugal ratificou formalmente o documento internacional através da Resolução da Assembleia da República n.º 141/2010, atestando então a sua determinação em erradicar o “sofrimento e as mortes” provocados por estes dispositivos bélicos.
OC
