Ensino Superior/Portugal: Diretor do serviço pastoral destacou relevância das universidades para o interior e estudantes estrangeiros

Padre Miguel Gonçalves Ferreira comentou as praxes, que se foram «degradando em alguns ambientes», e defende o diálogo para «promover algo que é bom»

Lisboa, 14 set 2026 (Ecclesia) – O diretor do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior (SNPES), da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou que os indicadores do início do ano letivo “são bons”, destacou a importância e “grande desafio” dos estudantes estrangeiros, e lamentou a praxe atual.

“Os indicadores, apesar das turbulências iniciais, são bons, sempre com um pouco mais nutridos no litoral do que no interior, e a reposição das regras de acesso ao Ensino Superior, creio que também foi bem acolhido, e teve bons frutos”, disse o padre Miguel Gonçalves Ferreira, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O novo ano académico nas Universidades Portuguesas está a começar, quando ainda decorrem as candidaturas à segunda fase, até 20 de setembro, o número de acesso aos vários cursos, na primeira fase, foi superior a 2025, acentuam-se as diferenças de preferência entre o litoral e o interior do país, mas, salienta o sacerdote Jesuíta, “continua a ser muito relevante no interior do país a presença de universidades”.

“Dão às cidades do interior um grande contributo, embora, às vezes, se debatam também com problemas, porque algumas regras de apoios, e tudo mais, são desenhadas a partir de Lisboa, e com pouca noção, às vezes, de distâncias e circunstâncias que fazem parte de uma realidade que não é a realidade urbana”, acrescenta, dando como exemplo “alguém que estuda em Évora e vive em Portel”, uma distância aproximadamente de 40 quilómetros.

O diretor do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior destaca a importância da presença dos estudantes, professores, investigadores e funcionários para as cidades pequenas, “tudo traz a uma realidade do interior, uma vida que de outra forma não seria possível acontecer”, e o “grande desafio” que são os estudantes estrangeiros, a maioria dos Países Africanos de Expressão Oficial Portuguesa, os PALOPs, que, “em muitas universidades, chega quase aos 20%, ou até excede”, isto é “um quinto dos estudantes”.

“Alguns são estudantes que já nasceram em Portugal, embora de outras nacionalidades, outros são imigrantes. E, muitas vezes, talvez não estejamos bem atentos a como isto se possa transformar numa grande oportunidade de integração”, acrescentou, imaginando o que seria se “de repente saíssem 20% dos alunos”, alguns cursos, “se calhar, não abririam”.

O padre Miguel Gonçalves Ferreira observa estes estudantes estarem a estudar em Portugal permite que “certas realidades subsistam e continuem, nomeadamente no interior”, o que “não é tão relevante” nas universidades da capital ou do litoral, mas exemplifica que a Universidade de Coimbra tem “um número muito grande de estudantes estrangeiros”, e, hoje, não se concebe sem essa presença.

O diretor do SNPES comentou também as praxes, um “ritual antigo” que era de integração, e “não queria ter um olhar totalmente negativo”, mas “a pouco e pouco foi-se degradando em alguns ambientes”, o modo como se forjam relações, como as pessoas interagem, “como interagem com a cidade, é, às vezes, de muito baixo nível”.

“E o modo como até as relações da autoridade se forjam, nos rituais próprios, degradam de facto a linguagem, são sexistas, são misóginas. E, também, os grandes festejos académicos, com uma certa complacência, negam todos os princípios da Medicina, da Psicologia, do Direito, do ambiente. Aquilo que é suposto ser uma festa, e é bom que seja, e é bom que assim aconteça, transforma-se num excesso que não é bom, e que traz consigo também abusos, indução ao álcool, com uma certa complacência de todos”, desenvolveu o sacerdote jesuíta, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

O padre Miguel Gonçalves Ferreira, que explicou o que é o Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior, o que faz e promove, acrescentou, sobre as praxes, que “o excesso de regulamentação nem sempre é o que mais ajuda”, e defendeu “que se fale com as pessoas”, e que se encontrem “formas boas de promover algo que é bom”.

PR/CB/OC

Media: Programas das confissões religiosas são emitidos a partir das 13 horas, na RTP2

 

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