Canadá: Bispo de Angra presidiu aos 20 anos das Festas do Senhor Santo Cristo em Brampton

D. Armando Esteves Domingues, portador de uma «bênção apostólica especial» do Papa Leão XIV, afirmou que «quem se veste de Cristo não pode reproduzir a gramática do mundo»

Foto: Bailinho Português, em Igreja Açores (Diocese de Angra)

Angra do Heroísmo, Açores, 14 set 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra presidiu este domingo às principais celebrações religiosas dos 20 anos da Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Brampton (Ontário), no Canadá, e elogiou os açorianos que “não têm medo de falar de Deus”.

“Uma comunidade viva, que crê, que preserva a sua identidade e que não tem medo de falar de Deus. Às vezes penso que nalguns sítios já é quase pecado mortal falar de Deus”, disse D. Armando Esteves Domingues, citado pelo portal ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.

O bispo de Angra, que presidiu às Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Brampton, no Canadá, explicou que a fé não pode ser uma realidade guardada para os dias de festa, e afirmou que é “feliz quem alimenta a vida com a fé”.

“Que não a mete na gaveta para a ir buscar apenas em dia de festa; não é mero otimismo, é esperança. É acreditar que Deus permanece ao lado do ser humano mesmo quando a vida parece enevoada”, assinalou o bispo português.

A partir do Evangelho deste domingo, sobre a passagem onde Jesus explica que o limite das vezes que deve perdoar uma ofensa “até setenta vezes sete”, o bispo de Angra afirmou que “o perdão recebido não pode ficar fechado dentro de cada pessoa”, mas tem de ser oferecido, o que “significa perdoar também quando custa”.

Nesta humanidade aparentemente perdida entre bombas e tragédias, há lugar para Deus e para a paz; a última palavra deve sempre pertencer ao amor.”

Foto: Bailinho Português, em Igreja Açores (Diocese de Angra)

D. Armando Esteves Domingues convidou os presentes a colocarem-se diante da imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que já teve a “tentação de o abraçar”, e a entrarem no mistério daquele rosto marcado pelo sofrimento, acompanhá-lo no caminho do Calvário e reconhecer esse caminho nas “feridas concretas da existência”.

“No irmão difícil a quem não se consegue perdoar, nas pequenas guerras de todos os dias, na dificuldade de ser generoso, de partilhar a vida e os projetos. É aí que a devoção deixa de ser apenas tradição e se transforma em vida”, desenvolveu.

O bispo de Angra, que foi portador de uma “bênção apostólica especial” do Papa Leão XIV, segundo a Diocese de Angra, assinalou que “quem se veste de Cristo não pode simplesmente reproduzir a gramática do mundo”, e indicou que “não pode responder à agressão com agressão, à vingança com vingança, ao ódio com ódio”.

As comemorações dos 20 anos das Festas do Senhor Santo Cristo em Brampton ficam marcadas pelo simbolismo de terem inaugurado um monumento das Portas da Cidade de Ponta Delgada, construídas com pedra da ilha de São Miguel, este sábado, 12 de setembro, em frente à igreja de Nossa Senhora de Fátima; é a segunda réplica no continente americano, após Fall River, nos Estados Unidos da América, em 2006.

“São portas de entrada e de saída, um permanente vai e vem entre duas pátrias. São ligação às origens, aos costumes, à cultura e à fé, mas também sinal de abertura e de diálogo com o país que acolheu os açorianos; uma ponte entre Açores e Canadá, entre memória e futuro, entre identidade e encontro”, assinalou D. Armando Esteves Domingues, na homilia deste domingo.

As celebrações das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Brampton, promovidas pela comunidade açoriana, começaram com a Missa dos Doentes, na quinta-feira, dia 10, antes da mudança da imagem e da grande procissão realizadas este domingo, e terminam com o ‘Cortejo de Oferendas’, esta segunda-feira, 14 de setembro.

O portal ‘Igreja Açores’ informa que a Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres de Brampton têm mantido uma ligação próxima com o santuário cristológico em Ponta Delgada, à tradição religiosa e ao seu património devocional, e, em 2021 ofereceram uma capa para a imagem; identificada com o número 37, foi estreada a 9 de maio de 2021, no Coro Baixo do Convento da Esperança, em 2023, integrou a procissão das festas nos Açores, e na Semana Santa deste ano (2026) a imagem também envergou essa capa.

CB/OC

Partilhar:
Scroll to Top