Arcebispo D. Paul Richard Gallagher encontrou-se com o presidente e vice-presidente do Departamento de Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscovo

Cidade do Vaticano, 27 ago 2026 (Ecclesia) – O secretário para Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé, D. Paul Richard Gallagher, visitou esta terça-feira a catedral ortodoxa de Moscovo, no segundo dia de visita à Rússia.
O vice-presidente do Departamento de Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscovo, Igor Yakimchuk, recebeu o colaborador do Papa, que antes esteve num encontro com o metropolita D. Antonij de Volokolamsk, presidente do mesmo setor, informa o portal de notícias do Vaticano.
A Catedral de Cristo Salvador foi apresentada ao arcebispo, que esteve acompanhado do núncio apostólico na Rússia, D. Giovanni d’Aniello, numa visita guiada que durou mais de uma hora e terminou com a vista panorâmica da capital russa a partir dos terraços do edifício religioso.
De acordo com o ‘Vatican News’, o secretário para Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé foi acompanhado pelo espaço expositivo que narra a história conturbada do templo, exibindo paramentos sagrados, documentos históricos, rascunhos e objetos preciosos que escaparam da destruição ou foram recriados por artesãos russos.
Ao subir da igreja subterrânea dedicada à Transfiguração, D. Paul Richard Gallagher foi conduzido ao andar superior, que abriga o iconóstase – painel ou parede que, nas igrejas ortodoxas, separa o santuário (espaço reservado aos celebrantes) do corpo central, reservado aos fiéis – e 22 mil metros quadrados de afrescos, técnica de pintura.
O arcebispo parou em oração diante do ícone de Nossa Senhora de Vladimir, atribuído a São Lucas e devolvido à Igreja Ortodoxa, tornando-se um dos principais objetos de devoção dos fiéis russos.
O portal de notícias do Vaticano lembra que o projeto original da Catedral de Cristo Salvador remonta a 1812, quando o czar Alexandre I decidiu dedicá-la a Cristo Salvador para celebrar a libertação da Rússia da invasão napoleónica.
No entanto, a sua construção só teve início em 1860, tendo sido Alexandre III o primeiro czar a ser coroado ali, em 1883.
O ‘Vatican News’ recorda que a história deste “templo sempre foi conturbada e trágica, passando pela destruição total sob o regime soviético”, tendo sido dinamitada em 1931 e, após a guerra, foi construída no local a maior piscina da URSS.
Com o declínio e o eventual fim do regime soviético, a Igreja Ortodoxa Russa recebeu autorização para reconstruir a Catedral de raiz, em fevereiro de 1990.
As despesas da reconstrução foram cobertas por um fundo criado em 1992, para o qual contribuíram financeiramente fiéis de toda a Rússia.
D. Paul Richard Gallagher está a realizar à Rússia para encontros com as autoridades civis, eclesiásticas e a comunidade católica local, que se iniciou a 24 de agosto e termina esta sexta-feira.
Também na terça-feira, o colaborador do Papa reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, no fim do qual reiterou que a guerra na Ucrânia tem de acabar.
“A posição da Santa Sé é clara: o conflito não pode ser resolvido por meios militares”, disse.
Hoje, está previsto um encontro com a comunidade católica local, primeiro com o clero, os religiosos e as religiosas, depois uma Eucaristia na Catedral da Imaculada Conceição, em Moscovo, reunindo-se de seguida com os bispos católicos.
Esta não é a primeira vez que o arcebispo se desloca à Rússia, tendo a sua última visita ao país sido em novembro de 2021.
LJ/PR
