Leão XIV participou no “Encontro para a Amizade entre os Povos” de 2026, na cidade italiana, que recebe a visita de um pontífice ao fim de 44 anos

Rimini, Itália, 22 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa destacou, esta tarde, que “o amor é a lei da vida” e “o método da redenção” e apelou a opor a misericórdia ao falso realismo, na 47º edição do “Encontro para a Amizade entre os Povos’ em que participou, na cidade italiana de Rimini.
“Ao falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações, a cultura católica tem hoje de opor o realismo da misericórdia, segundo o qual não podem existir inimigos e todos, mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem ser olhados nos olhos e encontrados na verdade”, afirmou o Papa, perante cerca 60 mil pessoas, informa o ‘Vatican News’.
Ao fim de 44 anos, um Papa visita Rimini e marcou presença no ‘Encontro para a Amizade entre os Povos’, do movimento Comunhão e Libertação; a 29 de agosto de 1982, São João Paulo II marcou foi pela primeira vez ao encontro, que se assume como um espaço internacional de diálogo e reflexão transversal que procura debater os grandes desafios da sociedade, da cultura e da fé.
Na intervenção, Leão XIV salientou que “seguir Jesus Cristo após as tragédias e os recomeços do século XX implica, na verdade, uma consciência lúcida: o mal não se combate com o mal”.
Apesar de o pecado existir, indicou o pontífice, “mais forte do que ele é o amor redentor de Cristo”, que empenha todos “a purificar pensamentos, interesses, hábitos, companhias, projetos, investimentos – todos os aspectos da vida – de tudo o que a cultura do poder contaminou”.
O Papa exortou a libertar “a convivência da suspeita, a cultura da prepotência, a educação da ideologia, o trabalho da idolatria do lucro, a tecnologia e as finanças dos negócios de morte”.

“A partir das organizações que criámos e nas quais atuamos, desmascaremos as injustas relações de poder, que estão na origem da pobreza e das desigualdades, da guerra e dos desastres ambientais”, incentivou.
Desarmemos o desenvolvimento tecnológico quando este se torna invasivo e destrutivo. Precisamos de pioneiros corajosos, que comecem pela sua inversão de rota a tornar convincente e verosímil a conversão pedida a todos”, acrescentou.
No discurso, o Papa realçou que hoje “a paz é preservada e difundida por pessoas que gostam de se encontrar e não têm medo de dialogar” e que quando cada um reconhece a dignidade de filho de Deus entra em contacto com aquilo que, “desde as origens, une os seres humanos, para além de qualquer diversidade, separação ou conflito”.
“Podemos identificar-nos uns com os outros, ouvir-nos e tornar-nos amigos: isto entre pessoas e, portanto, também entre povos. Antes das fronteiras, das definições e das instituições, estão sempre as pessoas”, sublinhou.
No auditório, Leão XIV dirigiu-se especialmente aos jovens, ressaltando que a sua “presença numerosa” e o facto de muido deles ali estarem como voluntários.
“Sois o sinal de que o futuro é uma promessa, não uma ameaça! Muitos deixaram de acreditar nisto, tanto entre os adultos como entre os vossos coetâneos. Silenciosamente, porém, ‘o amor que move o sol e as outras estrelas’ incentiva ainda à esperança. Senti-o intensamente entre os vossos colegas no Líbano, na África e na Espanha”, recordou.
O Papa afirmou que o “amor move, impele, desperta do torpor, suscita novas vocações e convida a arriscar”, exortando os jovens a deixar-se envolver e a abrir-se a “uma verdadeira catolicidade”, alargando os “vínculos para além de qualquer pertença demasiado restrita”.
“O Movimento, os grupos, as comunidades sejam um trampolim a partir do qual possais mergulhar na realidade inteira. Contrastai o que pretende afastar-vos dos irmãos e irmãs com culturas, sensibilidades e origens diferentes, especialmente dos mais pobres. Em vez disso, saí ao encontro de todos!”, pediu.
Leão XIV sublinhou que “no amor nunca há coação, nem doutrinação; nunca há sedução, engano ou recrutamento”: “O amor só existe na liberdade, no diálogo vivo, no dom generoso de si mesmo”.
Na intervenção, o pontífice enfatizou que “hoje o mundo parece surpreender-se” com a adesão dos jovens “a Cristo”, com a atração que sentem “por Ele e pela sua Palavra”, bem como pela sua “pertença à Igreja”.
“Queridos amigos, amai sempre a Igreja! […] Amai e preservai a unidade da “companhia” através da qual Cristo vos alcançou e vos atrai para Si”, declarou.
A intervenção do Papa foi antecedida dos discursos de Bernhard Scholz, presidente da ‘Fundação Meeting’, e de Davide Prosperi, presidente da Comunhão e Libertação.
Antes, do encontro no grande auditório, o Papa visitou exposições dedicadas a Santo Agostinho (15h00) e ao industrial francês Léon Harmel (1829-1915), tendo também passado pela ‘Aldeia dos Rapazes’ onde cumprimentou os participantes.
O ‘Meeting de Rimini’ decorre entre 21 e 26 de agosto e tem como tema “O amor que move o sol e as outras estrelas”, incluindo debates, exposições, apresentações artísticas, atividades culturais, torneios desportivos e eventos para os mais jovens, segundo o ‘Vatican News’.
LJ


