Comunicado lembra que «mais de 1000 profissionais humanitários foram mortos em todo o mundo nos últimos três anos», incluindo desta organização católica

Roma, 19 ago 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Internacional defendeu hoje que proteger os trabalhadores humanitários significa salvaguardar o direito internacional humanitário, lembrando os profissionais que morreram em situações de crise a ajudar os outros.
“Estas tragédias lembram-nos que a proteção dos trabalhadores humanitários é indissociável da proteção do direito internacional humanitário”, referiu, no comunicado enviado à Agência ECCLESIA, no âmbito do Dia Mundial da Ajuda Humanitária, que hoje se celebra.
A organização católica lembra que “mais de 1 000 profissionais humanitários foram mortos em todo o mundo nos últimos três anos” e que “entre eles encontram-se membros da família da Caritas, incluindo colaboradores mortos em Mariupol e em Gaza”.
“Mais recentemente, a 26 de julho, Yana Zhernovskaya, assistente social da Caritas Kharkiv, foi morta quando um míssil russo atingiu a sua casa. O seu filho de 10 anos também ficou ferido”, indica.
No Dia Mundial da Ajuda Humanitária, a Cáritas Internacional “presta homenagem aos trabalhadores humanitários que perderam a vida ao serviço das comunidades afetadas por conflitos e crises e apela a um respeito renovado pelo direito internacional humanitário”.
A organização informa que “continua a servir as comunidades em algumas das zonas de conflito mais perigosas do mundo, incluindo Gaza, onde o pessoal humanitário enfrenta níveis de violência sem precedentes”.
“A sua coragem surge numa altura em que o respeito pelo direito internacional humanitário está cada vez mais sob pressão”, alerta.
No comunicado, a confederação internacional salienta o papel fundamental dos líderes religiosos e das organizações de base religiosa na promoção do respeito pelo direito internacional humanitário.
“Profundamente enraizados nas comunidades locais e, muitas vezes, merecedores da confiança de diferentes grupos, podem ajudar a traduzir os princípios humanitários em valores com os quais tanto as comunidades como os intervenientes nos conflitos se identificam”, enfatiza.

A organização realça que na República Centro-Africana, o bispo Aurelio Gazzera, de Bangassou, está entre aqueles que continuam a acompanhar as comunidades, apesar dos graves riscos de segurança.
“A encíclica ‘Magnifica Humanitas’, do Papa Leão XIV, recorda-nos a grandeza e a beleza de cada ser humano. Os trabalhadores humanitários estão entre aqueles que se mantêm ao lado das pessoas necessitadas, testemunhando a todas as partes envolvidas num conflito a importância de se manter a humanidade”, disse o bispo, citado pela Cáritas.
A confederação internacional menciona que “através da Plataforma Inter-religiosa para a Paz, líderes católicos, muçulmanos e evangélicos interagem com as autoridades, as forças armadas e as comunidades locais, ajudando a manter abertos os canais de diálogo”.
Proteger os trabalhadores humanitários significa, portanto, proteger mais do que apenas aqueles que prestam ajuda. Significa defender os princípios do direito internacional humanitário e a humanidade que todos partilhamos”, conclui o comunicado.
| A Cáritas Portuguesa também assinalou o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, prestando homenagem, através de uma publicação nas redes sociais, “a todas as pessoas que arriscam as suas vidas para levar esperança, proteção e apoio às comunidades afetadas por conflitos e crises”.
“Hoje reforçamos um apelo urgente ao respeito pelo Direito Internacional Humanitário e ao reconhecimento do papel fundamental dos atores humanitários e das comunidades de fé na promoção da paz”, escreveu. O Dia Mundial da Ajuda Humanitária assinala-se todos os anos a 19 de agosto e em 2026 tem como tema “O tempo da preocupação acabou. Agora é tempo de enfrentar as consequências”. Foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2008, na sequência do atentado contra o Hotel Canal, em Bagdade, a 19 de agosto de 2003, que provocou a morte de 22 trabalhadores humanitários, incluindo o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iraque, Sergio Vieira de Mello. A data pretende homenagear aqueles que, ao serviço dos outros e na defesa de causas humanitárias, arriscam as suas vidas na frente de combate, muitas vezes, em cenários inóspitos de guerra, indica o portal Eurocid – informação europeia ao cidadão. |
LJ/
