União Europeia lançou campanha para dar voz aos profissionais humanitários no terreno e Cáritas Portuguesa homenageou todas as pessoas que arriscam as suas vidas

Nova Iorque, EUA, 19 ago 2026 (Ecclesia) – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) assinalou hoje o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, alertando para a “verdade chocante” de que “servir o próximo tornou-se mais perigoso que nunca”.
“Mais de mil profissionais humanitários foram mortos nos últimos três anos. A maioria era de trabalhadores locais que apoiavam as suas próprias comunidades. Inúmeros outros escaparam por pouco de tiros, disparos de artilharia, bombardeios, sequestros e estupros”, denunciou António Guterres, numa mensagem em vídeo.
Em 2026, mais de 239 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária urgente, indicou a ONU, informando que o setor viveu no ano passado cortes severos de financiamento e um número recorde de ataques letais contra trabalhadores humanitários.
O responsável lembrou que também as escolas estão a ser atacadas e advertiu que “novas ferramentas de guerra – incluindo drones armados – trazem novos riscos”.
“Ao mesmo tempo, a desinformação está a acabar com a confiança. O financiamento está a ser cortado. E o acesso humanitário está a ser restringido. Vemos comboios de ajuda a ser bloqueados. Trabalhadores humanitários ameaçados, presos e detidos. E pessoas desesperadas deixadas sem apoio”, descreveu.
António Guterres sublinhou que os “ataques a trabalhadores humanitários são ilegais” e que “as consequências são arrasadoras para famílias que lutam para sobreviver”.
“Crianças à espera por comida. Pacientes que procuram atendimento urgente. E tantos outros”, acrescentou.
O secretário-geral da ONU recorda que “o mundo assumiu compromissos” e que agora precisa de agir, apelando pelo respeito das regras da guerra, pela garantia do acesso seguro, pela responsabilização dos autores dos ataques e pelo fornecimento de recursos suficientes.
“Os trabalhadores humanitários defendem as pessoas necessitadas. Nós temos que defendê-los. Devemos agir pela humanidade – agora”, disse na mensagem partilhada pelas Nações Unidas.
| O Dia Mundial da Ajuda Humanitária assinala-se todos os anos a 19 de agosto e em 2026 tem como tema “O tempo da preocupação acabou. Agora é tempo de enfrentar as consequências”.
Foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2008, na sequência do atentado contra o Hotel Canal, em Bagdade, a 19 de agosto de 2003, que provocou a morte de 22 trabalhadores humanitários, incluindo o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iraque, Sergio Vieira de Mello. A data pretende homenagear aqueles que, ao serviço dos outros e na defesa de causas humanitárias, arriscam as suas vidas na frente de combate, muitas vezes, em cenários inóspitos de guerra, indica o portal Eurocid – informação europeia ao cidadão. |
Para assinalar a data, a União Europeia lançou a campanha “Voices of Humanity” (vozes da humanidade), como homenagem aos profissionais que vão para situações de crise para ajudar os outros.
“Os trabalhadores humanitários estão, todos os dias, na linha da frente da ajuda de emergência, dando a vida à ação humanitária da UE em todo o mundo. O compromisso destes trabalhadores com as pessoas que ajudam é inigualável”, descreve a Comissão Europeia.
A EU lembra que, de acordo com a ONU, um número impressionante de 252 milhões de pessoas necessitará de ajuda vital até 2026 e que a própria e os “seus Estados-Membros são, em conjunto, o maior doador mundial de ajuda humanitária, contribuindo com a maior parte do apoio a nível global”.
“O orçamento inicial da UE para a ajuda humanitária em 2026 é de 1,9 mil milhões de euros”, pode ler-se.

A Cáritas Portuguesa também não passou ao lado do Dia Mundial da Ajuda Humanitária, prestando homenagem, através de uma publicação nas redes sociais, “a todas as pessoas que arriscam as suas vidas para levar esperança, proteção e apoio às comunidades afetadas por conflitos e crises”.
“Mais de mil trabalhadores humanitários perderam a vida nos últimos anos enquanto serviam os mais vulneráveis. Proteger quem presta ajuda humanitária é proteger o direito à dignidade, à assistência e à esperança de milhões de pessoas”, enfatizou.
“Hoje reforçamos um apelo urgente ao respeito pelo Direito Internacional Humanitário e ao reconhecimento do papel fundamental dos atores humanitários e das comunidades de fé na promoção da paz”, concluiu.
LJ
