Antigo bispo sadino participou no funeral e recordou que as causas que ele abraçou eram «viradas para pessoas»

Setúbal, 17 ago 2026 (Ecclesia) – D. José Ornelas, bispo de Setúbal entre agosto de 2015 e janeiro de 2022, afirmou que Eugénio Fonseca era um “homem do terreno” e marcou diocese “como aquele que promove a caridade”.
“As causas que ele abraçou saíam do coração e viradas para pessoas. Ele próprio era uma pessoa do terreno, era quem ia, contactava, conhecia as pessoas, aquelas que precisavam, para quem trabalhava, e aquelas que podiam ajudar também, a quem ele era muito, muito fiel”, disse o antigo bispo de Setúbal, em declarações à Agência ECCLESIA no funeral de Eugénio Fonseca.
As cerimónias fúnebres de Eugénio Fonseca realizaram-se na manhã desta segunda-feira, dia 17, na Sé de Setúbal, seguindo o cortejo para o cemitério Nossa Senhora da Piedade; o antigo presidente da Cáritas morreu dia 12 de agosto, aos 69 anos de idade, vítima de paragem cardiorrespiratória.
“É dar graças a Deus pela vida dele, por aquilo que ele fez, por aquilo que ele lutou, por aquilo que viveu. E também com as dificuldades que encontrou, mas que viveu com paixão, com muita paixão”, assinalou D. José Ornelas.
Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado, foi presidente da direção da Cáritas Diocesana de Setúbal, entre 1987 e 2016, e da Cáritas Portuguesa, de 1999 a 2020.
“Os anos que ele passou, primeiro aqui em Setúbal, depois na Cáritas Portuguesa, foram daquilo que se pode dizer, de facto, um profeta; e marcou muita gente, não só aqueles que foram diretamente atingidos, e objeto do carinho e da ação dele, mas também aqueles que cresceram com ele neste desejo e motivação de pensar naqueles que mais precisam”, desenvolveu o antigo bispo de Setúbal.
D. José Ornelas destaca Eugénio Fonseca foi aguém que “viveu modestamente, sem outra ambição que não fosse as pessoas que precisavam”, aquilo que se diz do “verdadeiro o espírito que deve presidir a caridade na Igreja”.
“Além disso, era um homem muito capaz de organização, de espírito crítico, para que a Igreja, de facto, estivesse junto daqueles que mais precisam”, acrescentou o bispo de Leiria-Fátima.
Eugénio Fonseca, natural de Setúbal, foi chamado para presidir à Cáritas Diocesana por D. Manuel Martins, então bispo sadino, e, segundo D. José Ornelas, “os dois formavam uma dupla que marcou a esta diocese”.
“Se D. Manuel foi um homem que marcou esta diocese como pastor, o Eugénio marcou esta diocese como aquele que promove a caridade”, realçou o bispo de Setúbal entre agosto de 2015 e janeiro de 2022.
O padre José Lobato, em serviço neste território pastoral ainda não tinha sido criada a diocese, recorda que conheceu Eugénio Fonseca quando ia presidir a um funeral, e “as pessoas estavam à espera que celebrasse Missa”, mas a capela do cemitério “não tinha as alfaias litúrgicas”.
“E um pequenito viu que as pessoas estavam tristes, disse ‘espera aí’, e desapareceu. Ele desceu umas escadas, veio à igreja de São Sebastião, e levou tudo o que era necessário. Portanto, sensível, ágil, muito inteligente, tinha um coração enorme para estar atento, e encontrar soluções, as possíveis”, acrescentou o antigo vigário-geral da Diocese de Setúbal, sobre o então acólito de 12 anos, em declarações à Agência ECCLESIA.
O primeiro bispo de Setúbal foi D. Manuel Martins, durante 23 anos, nomeado a 16 de julho de 1975, a resignação aceite a 23 de abril de 1998, e quando chegou à diocese começou uma relação filial com Eugénio Fonseca, que, segundo o padre José Lobato, “em pouco tempo, se mostrou capaz de tomar iniciativas”, e queria ajudar os cristãos “a viver a fé na dimensão social”.
“Não foi um sociólogo, não foi um organizador de eventos, não foi um criador de instituições assistencialistas, não. Foi um homem cristão, um homem que sabia que para chegar a Deus era preciso dar as mãos ao próximo” – padre José Lobato
A Missa do funeral do antigo presidente da Cáritas foi presidida pelo bispo de Setúbal, o cardeal D. Américo Aguiar, na Sé.
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