Eleições legislativas e presidenciais de 30 de agosto, as primeiras desde 2021, foram adiadas para dezembro

Lisboa, 14 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo de Jérémie, no Haiti, afirma que a Igreja Católica é “o último baluarte moral, ético, espiritual e profético” no país, onde os grupos armados têm um impacto devastador no funcionamento das 10 dioceses católicas, informa a AIS.
“Em crioulo dizemos: ‘Pitit Manman Marie pa janm pèdi batay’, que significa ‘os filhos da Virgem Maria nunca perdem uma batalha! “É por isso que continuamos a avançar’”, disse o bispo Joseph Gontrand Décoste à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), informa a organização em nota enviada à Agência ECCLESIA.
A fundação pontifícia AIS alerta para o impacto devastador dos bandos armados no funcionamento das 10 dioceses católicas do Haiti, na capital Port-au-Prince, 40 paróquias fecharam, no planalto central encerraram cerca de 15 e mais 10 em Artibonite, as outras dioceses vivem no medo constante de uma expansão da violência.
“Somos o último baluarte: moral, ético, espiritual e profético… É por isso que querem eliminar-nos”, afirmou o bispo da Diocese de Jérémie, sobre a Igreja Católica que se tornou um alvo prioritário.
A Igreja Católica no Haiti criou programas de ensino online, acolhe milhares de pessoas deslocadas nas dioceses do sul e do oeste, transmite Missas e programas religiosos através das estações de rádio diocesanas e mantém, sempre que possível, peregrinações e procissões; os fiéis enfrentam a insegurança para participar nas celebrações importantes, como a Via Sacra ou as grandes festas marianas.
“Continuamos a rezar, a cantar e a dançar. No Haiti dizemos: ‘Enquanto não nos cortarem a cabeça, ainda temos esperança de usar chapéu.’ É por isso que nunca perdemos a esperança”, acrescentou D. Joseph Gontrand Décoste.
Segundo este responsável, os cerca de 200 seminaristas diocesanos continuam os estudos, mas enfrentam o perigo diariamente, o Seminário Maior Interdiocesano de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está em Port-au-Prince e, às vezes, têm de atirar-se para o chão ou refugiar-se debaixo da cama para não serem atingidos por uma bala perdida, enquanto as deslocações entre o seminário e as paróquias são impossíveis.
“Esta capacidade de resiliência é possível graças ao grande apoio que sentimos por parte de organizações como a Fundação AIS. As vossas orações sustentam-nos imenso; sem elas, não conseguiríamos continuar. Muito obrigado, do fundo do coração!”, realçou o bispo da Diocese haitiana de Jérémie.
A Ajuda à Igreja que Sofre explica que tem apoiado a Igreja no Haiti através de projetos como estações de rádio diocesanas, iniciativas de energia solar e assistência à formação e subsistência de sacerdotes, religiosas e catequistas.
A fundação pontifícia contextualiza que os grupos armandos no Haiti tornaram-se particularmente poderosos na década de 1990, quando o presidente Aristide desmantelou o exército, com medo de um golpe de Estado, e criou uma milícia paralela para intimidar a população; em 2018, o Governo recorreu a elas para reprimir uma revolta popular generalizada.
O assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021, agravou a situação política e social, as primeiras eleições legislativas e presidenciais estavam previstas para o próximo dia 30 de agosto, mas foram adiadas para dezembro, a AIS assinala que a ideia de eleições parece um sonho distante neste país devastado pela violência de gangues armados, que controlam entre 70% e 90% da capital, Port-au-Prince.
CB
