Padre Bashar Fawadleh afirma que situação que “é realmente difícil de suportar”, e que «Taybeh não pode desaparecer no silêncio»

Cidade do Vaticano, 07 jul 2026 (Ecclesia) – O pároco de Taybeh, a última aldeia palestina inteiramente cristã na Cisjordânia, afirma que querem “viver em paz, justiça e dignidade” face aos ataques israelitas, à presença dos colonos, e alerta que esta comunidade “não pode desaparecer no silêncio”.
“Sentimo-nos esquecidos, sentimo-nos sozinhos. As possibilidades de intervenção existem, mas infelizmente são muito limitadas e raramente eficazes, é por isso que a presença e a pressão da Comunidade internacional são essenciais hoje”, explicou o padre Bashar Fawadleh, ao portal ‘Vatican News’, em entrevista divulgada esta segunda-feira, 10 de agosto.
Taybeh, Efraim na Bíblia, a leste de Ramallah, é a última aldeia palestina inteiramente cristã na Cisjordânia, na Palestina, no domingo, o Exército de Israel declarou a aldeia fechada a não residentes, impedindo a entrada de israelitas, medida que não se aplica aos palestinianos, para “proteger os cidadãos da região”, na sequência de “diversos ataques violentos cometidos por israelenses na área”, explicou um porta-voz das forças armadas.
“Precisamos de proteção concreta para os civis e de uma verdadeira vontade política para pôr fim a esta violência. Precisamos de ajuda para continuarmos a viver aqui e a dar testemunho de Jesus Cristo e dos seus seguidores, esta é uma responsabilidade partilhada pela presença cristã aqui em Taybeh. À luz de tudo o que está a acontecer, alguns residentes querem abandonar as suas terras e tudo.” – Padre Bashar Fawadleh
O pároco da Igreja do Cristo Redentor, em Taybeh, na Cisjordânia, observa que, por agora, “não há solução, mas há algo muito especial”, que é a “esperança em Jesus Cristo, a esperança na Igreja”, por isso, convidam toda a Igreja “a intensificar suas orações e a apoiar o Patriarcado Latino de Jerusalém”, e toda a Terra Santa, porque acreditam “firmemente que a oração opera milagres”.
“Não nos esqueçamos de Taybeh! Convido todas as dioceses da Igreja Católica em todo o mundo a se manifestarem sobre a situação na aldeia, sobre esses irmãos e irmãs em Cristo que vivem com medo. A primeira comunidade cristã desta terra não deve desaparecer no silêncio, juntos podemos preservar este testemunho vivo de fé”, apela o padre Bashar Fawadleh.
O pároco da Igreja do Cristo Redentor destaca que “a comunidade cristã permanece unida”, a Igreja acompanha as famílias, apoia os mais vulneráveis, “fortalece a solidariedade entre os moradores e continua defendendo a dignidade de cada pessoa”, também colaboram com as missões diplomáticas, organizações internacionais e os meios de comunicação social para que “a realidade de Taybeh seja conhecida e que a voz não seja silenciada”.
“Gostaria de pedir ao Papa Leão XIV que faça algo por esta última aldeia cristã na Cisjordânia, para que cessem os ataques dos colonos e a ocupação de nossa terra. Queremos viver em paz, justiça e dignidade”, acrescentou.
O padre Bashar Fawadleh salienta que “muitas famílias estão a sofrer” com a presença dos colonos, e explica que a oeste, leste e sul de Taybeh, “muitas pessoas são vítimas dessa violência”, e, “como sempre, terras sem cultivo estão a ser incendiadas”, e, mais recentemente, atearam fogo a uma montanha a sudeste da aldeia cristã.
No dia 5 de agosto, alguns colonos entraram na casa de uma família da Paróquia Cristo Redentor, que “tinha acabado de ser preparada para habitação”, mas “não foi um incidente isolado”, é uma “estratégia de assédio com o objetivo de criar um clima de medo e forçar os palestinos a abandonar suas terras”.
“O que estamos a viver hoje é preocupante; agradecemos a Deus que a família esteja fisicamente sã e salva. Eles não estavam em casa durante a última invasão, mas não podemos deixar de admitir que, tanto física quanto psicologicamente, esta é uma experiência muito difícil”, explicou, sobre uma situação que “é realmente difícil de suportar”, ao portal de notícias do Vaticano.
CB
