África: Fundação AIS alerta para o «conflito esquecido» da República Centro-Africana

«Negligenciámos o interior do país. Há muita pobreza nas aldeias», lamenta o arcebispo de Bangui

Foto: Lusa (arquivo)

Lisboa, 05 ago 2026 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alerta para a violência na República Centro-Africana (RCA), o “conflito esquecido” de África, no primeiro documentário de agosto da fundação pontifícia no Programa ECCLESIA, intitulado ‘Rebelião dos Espíritos’.

“Negligenciámos o interior do país. Há muita pobreza nas aldeias. A administração foi abandonada; as escolas foram abandonadas; os cuidados de saúde foram abandonados”, lamenta o arcebispo de Bangui, no documentário emitido esta quarta-feira, na RTTP2.

O cardeal Dieudonné Nzapalainga acrescenta que ali “as pessoas morrem como animais”, e realça que “vão voltar aos métodos tradicionais” que já estão enraizados na sua mentalidade, “a bruxaria”, no documentário ‘Rebelião dos Espíritos’, sobre a República Centro-Africana.

Na RCA a violência é contínua desde 2012, e, segundo a Ajuda à Igreja que Sofre, este ‘conflito esquecido’ de África está a “devastar um pequeno país”, com uma população de 4,6 milhões de habitantes, no “coração” desse continente.

“Inicialmente entre as milícias Séléka e anti-Balaka, hoje esta situação fragmentou-se e grupos armados e milícias controlam mais de 70 por cento do território”, indica a fundação pontifícia.

A maioria dos centro-africanos são agricultores de subsistência, por isso, a vida é uma luta física “num estado efetivamente sem lei”, e, em muitas áreas, a Igreja Católica tornou-se um refúgio para os que fogem da violência e “uma voz pela paz e pela reconciliação”.

A situação de violência na República Centro-Africana está “analisada em detalhe” no mais recente Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo da AIS, publicado em outubro de 2025.

“Mais de uma década de conflito civil, alimentado por confrontos entre milícias anti-Balaka e predominantemente muçulmanas do Séléka, fracturou profundamente a confiança entre as comunidades cristã e muçulmana”, lê-se no documento da fundação pontifícia, em jeito de conclusão sobre liberdade religiosa.

De recordar que, em dezembro de 2022, o cardeal Dieudonné Nzapalainga recebeu um símbolo da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), uma cruz da edição internacional que se realizou em Lisboa, de 1 a agosto de 2023, da Força Nacional Destacada (FND) de Portugal presente na RCA, como “sinal da comunhão entre a diocese castrense e a diocese de Bangui”.

Ao longo das próximas semanas, o Programa ECCLESIA apresenta cinco documentários da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, “sobre o trabalho missionário da Igreja perseguida e necessitada em várias” – na República Centro-Africana e no Gana, no Brasil, na Croácia e na Albânia -, às 4ª-feiras, entre 4 de agosto e 5 de setembro, na RTP2.

CB/OC

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