Catequese sobre a vida litúrgica destaca dimensão comunitária da fé, rejeitando confusão com técnicas de «bem-estar pessoal»

Cidade do Vaticano, 05 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à redescoberta da dimensão comunitária da oração para combater a superficialidade de uma sociedade dominada pelo consumo.
“Nos nossos dias, em contextos dominados por uma mentalidade centrada na eficiência e no consumismo, a oração pode parecer algo inútil e insignificante”, alertou Leão XIV, na audiência pública semanal.
“Num mundo em que a ciência e a tecnologia pretendem dar todas as respostas, rezar pode parecer uma forma de evasão”, acrescentou, perante milhares de peregrinos reunidos no interior da Basílica de São Pedro, devido ao calor que se faz sentir em Roma.
O discurso lamentou a perda da tradição de rezar no seio de muitas famílias cristãs e observou que muitas pessoas “correm o risco de a confundir com uma técnica entre outras, de natureza psicológica e voltada para o bem-estar pessoal”.
A oração, pelo contrário, enquanto dimensão fundamental da nossa humanidade, merece ser redescoberta na sua verdade.”
Depois de uma pausa para as suas férias de verão, o Papa retomou o seu ciclo de catequeses sobre a constituição ‘Sacrosanctum Concilium’, do Concílio Vaticano II, para explicar a importância de colocar Deus no centro das atividades diárias.
“A liturgia é apresentada, antes de mais, como o lugar do encontro, da iniciativa de Deus que se aproxima da humanidade”, explicou.
A reflexão descreveu a Liturgia das Horas como “escola da oração cristã” e a celebração eucarística como o “sopro da vida da Igreja”.
“Ligada à Eucaristia, cuja luz prolonga, a Liturgia das Horas santifica o tempo da nossa vida quotidiana”, acrescentou Leão XIV.
Nas saudações aos peregrinos, o Papa aproveitou o período de férias de verão no hemisfério norte para recomendar o cultivo da vida interior.
“Todas as nossas atividades pertencem a Deus, incluindo o tempo livre e o repouso, e podem ser santificadas pela sua presença, que nos conduz ao encontro fraterno com os outros”, declarou.
A audiência geral incluiu a evocação da memória litúrgica da dedicação da Basílica de Santa Maria Maior.
“Pedimos à Santa Virgem que nos ajude a ser fiéis na oração, para que Deus esteja sempre em primeiro lugar nas nossas vidas”, indicou Leão XIV.
O Papa saudou ainda os milhares de peregrinos polacos que caminham a pé até ao santuário mariano de Nossa Senhora de Czestochowa, em Jasna Góra.
“Que este testemunho, o esforço do caminho, a oração comum e o encontro com Maria fortaleçam a fé e a esperança das famílias e das comunidades”, desejou.
O encontro no Vaticano incluiu uma saudação dirigida aos peregrinos lusófonos presentes na audiência geral, incluindo um grupo de escuteiros de Setúbal.
“Reavivemos nas nossas famílias e nas nossas comunidades paroquiais a oração litúrgica, que nos une como Povo de Deus a caminho”, apelou Leão XIV.
OC
