D. Nuno Almeida elogia papel das autoridades, com «palavra de solidariedade» ao ministro da Administração Interna

Bragança, 30 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Bragança-Miranda publicou hoje uma nota sobre o “drama dos incêndios” que atinge a região, pedindo ajuda para a população atingida e o compromisso de todos no combate e prevenção dos fogos.
“Manifestamos particular proximidade para com as famílias e comunidades mais atingidas por este drama dos incêndios, apelamos à Cáritas Diocesana, Centros Sociais Paroquiais e a todas as comunidades cristãs para que tudo façam para comprometer os seus membros nesta causa que é tão cristã quanto humana e pedimos que todos sigam sempre com atenção as orientações dadas pelas autoridades”, escreve D. Nuno Almeida, num documento enviado à Agência ECCLESIA.
As populações das aldeias de São Pedro Velho e da Ervideira, em Mirandela, foram retiradas de casa e confinadas em pontos de encontro, ao início da tarde de hoje, devido ao incêndio que está a lavrar neste concelho.
“Com um olhar de esperança no futuro e na certeza da responsabilidade que a todos compete para superar as adversidades, a todos pedimos um firme compromisso na prevenção”, pede o bispo da Diocese de Bragança-Miranda.
A nota intitulada ‘Zelar pela Casa Comum: Prevenir, evitar e combater os incêndios’, o evoca “a trágica situação” que afeta Portugal e vários países do sul da Europa.
“Unimo-nos em oração, pedindo a Deus para que alivie o sofrimento de todas as pessoas e famílias atingidas nesta devastação, especialmente as que sofreram a inestimável perda dos seus entes queridos”, escreve.
Neste momento, deixamos uma palavra de coragem e profunda gratidão aos Bombeiros e elementos da GNR que, pondo em risco as suas próprias vidas, combatem as chamas incansavelmente, bem como às demais forças de segurança, entidades civis e voluntários que, no âmbito da Proteção Civil, desenvolvem todos os esforços para salvar vidas e evitar mais perdas de bens.”
A nota de D. Nuno Almeida questiona a atenção dedicada à atuação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, apesar de reconhecer a “necessidade de se apurar toda a verdade dos factos”.
“É muito estranho que, na fase crítica em que nos encontramos, se desviem atenções”, lamenta o responsável católico, pedindo “bom senso” aos partidos políticos e comentadores perante uma “situação de emergência”.
“Aqui deixamos uma palavra de solidariedade ao senhor ministro da Administração Interna, pedindo-lhe que continue a exercer a sua missão tão decisiva nesta hora. Que deixe os ‘atores’ políticos e mediáticos a falar sozinhos. Já basta!”, acrescenta o bispo de Bragança-Miranda.
O documento defende uma “mudança de mentalidade e hábitos sociais” para evitar e combater aos incêndios, “de forma concertada, unidos, concentrados no que é mais importante e urgente”.
“Toda a sociedade, nas suas diversas instâncias deve sentir-se convocada e mobilizada: o Estado com os seus responsáveis mais diretos; a Igreja e todas as outras Confissões Religiosas; as autarquias locais de maior e menor dimensão; as escolas nos seus sucessivos graus de ensino; a comunicação social nas suas diversas valências; as mais variadas associações e muitas outras instituições, seja qual for a sua dimensão”, assinala D. Nuno Almeida.
Um incêndio chegou esta quarta-feira ao concelho de Mirandela, distrito de Bragança, proveniente de Valpaços, distrito de Vila Real; às 15h30 estavam a combater as chamas 782 operacionais, apoiados por 258 meio terrestres e sete meios aéreos, segundo dados divulgados pela Lusa.
OC
