Venezuela: Salesiano relata cenário de destruição e «imensa solidariedade» em La Guaira após sismos

Padre José Ubaldino de Andrade lamenta ausência de respostas governamentais no terreno

Foto: P. José Ubaldino de Andrade

Caracas, 28 jul 2026 (Ecclesia) – O padre salesiano José Ubaldino de Andrade alertou para a crise que se vive na região de La Guaira, mais de um mês após o duplo sismo que abalou a Venezuela.

“Não há rua em que não se encontre um edifício ou casa destruída; às vezes deparamo-nos com edifícios de três andares, mas o que não se vê é que os outros andares estão no chão, o piso três ou quatro é agora o rés-do-chão, e todos os que viviam nesses andares já não estão cá”, relata o sacerdote, num texto enviado à Agência ECCLESIA.

O religioso venezuelano, um dos iniciadores da missão no campo de refugiados de Palabek (Uganda), encontra-se no seu país natal a prestar auxílio às populações, descrevendo um cenário onde a realidade supera as imagens transmitidas pelos meios de comunicação.

Apesar da escala da catástrofe, o padre José Ubaldino de Andrade destaca a resposta da sociedade civil, sublinhando que “onde abundou a tristeza e a desgraça, abundou a solidariedade, a empatia e a proximidade”.

O missionário descreve a chegada constante de cidadãos anónimos, grupos cristãos e empresas que viajam durante dias para levar água, refeições quentes, roupa e ferramentas aos desalojados, que sobrevivem em tendas improvisadas sem acesso a água ou eletricidade.

O testemunho sublinha a presença de jovens voluntários que, mesmo sem treino especializado, continuam a escavar nos escombros à procura de vítimas mortais, um mês após os abalos.

“Os médicos comentam connosco que o trabalho agora é que começa, sobretudo na área psicológica: as pessoas viveram uma experiência muito dura e muitos ainda não se aperceberam”, refere o sacerdote.

O padre Ubaldino de Andrade lamenta a falta de assistência estatal no epicentro da crise, afirmando que “os grandes ausentes são as pessoas do governo”, não se registando distribuição oficial de comida, água ou tendas, em várias regiões.

O duplo sismo de magnitude 7,2 e 7,5 atingiu a costa da Venezuela no dia 24 de junho, com menos de um minuto de intervalo, desencadeando centenas de réplicas.

De acordo com a mais recente atualização oficial, a catástrofe provocou 5546 mortos e 16 740 feridos em todo o país.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português atualizou o balanço de vítimas nacionais, confirmando a morte de 134 cidadãos portugueses e lusodescendentes, entre os quais 106 adultos e 28 menores.

OC

Partilhar:
Scroll to Top