Lamego/Rejoice: D. Américo Aguiar pediu aos jovens «coragem, criatividade, alegria», e capacidade de sonhar

Vigília realizou-se no parque urbano de Lamego, renomeado Parque D. António Francisco dos Santos, este sábado

Lamego, 25 jul 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida (CELFV), da Igreja Católica em Portugal, afirmou que “o verdadeiro milagre” do Rejoice acontece se regressarem “diferentes”, e afirmou que o caminho para a JMJ Seul 2027, “começa em Lamego”.

“A Igreja precisa de cada um de vocês. Não amanhã, hoje. Precisa da vossa coragem, da vossa criatividade, da vossa alegria e da vossa capacidade de sonhar. Não esperem ser perfeitos para responder ao Senhor”, disse D. Américo Aguiar, na homilia da ‘Vigília Rejoice’, esta noite, no Parque D. António Francisco dos Santos, em Lamego.

A cidade de Lamego está a receber a segunda edição da Jornada Nacional da Juventude ‘Rejoice’, com 1200 participantes das dioceses portuguesas, desde sexta-feira, até este domingo, de 24 a 26 de julho.

O presidente da CELFV, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), explicou aos jovens que o ‘Rejoice’ “não pode terminar” quando acabarem os cânticos, apagarem as luzes “ou quando cada um regressar a casa”, mas também “não pode ficar reduzido às fotografias e aos vídeos desta noite”.

“O verdadeiro milagre acontecerá se regressarmos diferentes, mais cansados certamente, mas diferentes: mais próximos de Deus, mais próximos uns dos outros, mais disponíveis para servir e mais felizes porque descobrimos que vale a pena confiar em Cristo”, afirmou.

Segundo D. Américo Aguiar, a noite da Vigília Rejoice’ é também “um passo num caminho maior”, e destacou que o Papa Leão XIV “continua a desafiar os jovens de todo o mundo” para prepararem-se para a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Seul, a capital da Coreia do Sul, em 2027,de 3 a 8 de agosto.

“Esse caminho não começa quando entrarmos no avião, já será tarde. Começa hoje, começa aqui. Começa em Lamego. Seul começa quando um jovem decide colocar a sua vida nas mãos de Deus. Seul começa quando construímos unidade onde há divisão, esperança onde há desânimo, paz onde há conflito.”

A partir das leituras bíblicas proclamadas na vigília, D. Américo incentivou os jovens a deixarem que “seja Cristo” a definir a sua identidade, e não o mundo, porque este “muda de opinião todos os dias” – “hoje aplaude, amanhã esquece, hoje coloca alguém num pedestal, amanhã derruba-o -, enquanto Jesus “nunca muda o Seu olhar sobre cada um”, que é um filho amado de Deus.

“Jovens, não tenham medo de colocar a vida nas mãos de Deus. O mundo muda quando um jovem acredita em Cristo. A Igreja renasce quando um jovem diz: ‘Senhor, podes contar comigo!’”, indicou, desejando que possam partir com a “única certeza gravada no coração” que “vale a pena colocar a vida nas mãos de Deus”.

O presidente da celebração salientou que o mundo não precisa de mais pessoas a levantar muros, mas “precisa de homens e mulheres capazes de abrirem caminhos de encontro”.

Foto: D.R

D. Américo Aguiar começou a sua homilia com uma “palavra de gratidão”, antes da vigília foi descerrada uma placa, o parque urbano de Lamego é, agora, Parque Urbano D. António Francisco dos Santos, em homenagem ao bispo português falecido em 2017.

“É uma homenagem bonita e justa a um filho desta Diocese de Lamego, que foi padre, auxiliar da diocese de Braga Bispo de Aveiro e, depois, do Porto, e que deixou em tantos corações a marca da sua bondade, da sua proximidade e da sua forma profundamente evangélica de ser pastor”, acrescentou o presidente da CELFV.

Para D. Américo Aguiar, que foi chefe de gabinete do bispo D. António Francisco dos Santos na Diocese do Porto, dar um nome a um parque “nunca é apenas colocar uma pedra ou uma placa”, mas dizer às novas gerações que “há vidas que merecem ser recordadas, não pelos cargos que ocuparam, mas pela forma como amaram, serviram e fizeram o bem”.

“Que este Parque fale sempre de D. António Francisco dos Santos e inspire muitos jovens a acreditar que vale a pena viver uma vida entregue a Deus e aos irmãos”, acrescentou.

Nas preces, D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, lembrou a bebé Sofia (18 meses) que há dias “morreu de forma trágica, esquecida num carro, em Almada”, e convidou a rezarem “por ela, pela sua família, pelos amigos, e, infelizmente, por que esteve envolvido neste trágico acontecimento”: “Por todos aqueles e aquelas que, em certo momento da vida, vivem acontecimentos tão dolorosos e tão trágicos como estes”.

Este domingo, após a Missa, às 10h00, no Parque Urbano D. António Francisco dos Santos, o ‘Rejoice’ encerra-se com um concerto festivo.

CB

Foto: D.R

O presidente do Município de Lamego, Francisco Lopes, e o bispo desta diocese, D. António Couto, na presença de vários bispos portugueses e jovens, descerraram a placa que atribuiu o nome de D. António Francisco dos Santos ao parque urbano desta cidade, no início da noite deste sábado, antes da saudação aos participantes do Rejoice, do Concerto Banquette e da vigília de oração.

“Por onde o D. António passou, deixou uma marca que muito nos orgulha, porque foi daqui que ele conseguiu sair para fazer esse trabalho pastoral que lhe foi pedido, mas regressando sempre, orgulhando-nos muito e ajudando-nos também a sermos um bocadinho melhores naquilo que fazemos quotidianamente, na política, no nosso trabalho, também, obviamente, na Igreja, na nossa missão”, acrescentou Francisco Lopes.

O presidente da Câmara Municipal de Lamego afirmou que recebiam todos “de braços abertos, e quem quiser ficar em Lamego será muito bem acolhido”, destacou que atribuir o nome de D. António Francisco dos Santos ao parque urbano significa que “este espaço fica marcado, indelevelmente, por este encontro, por este ‘Rejoice’, e aberto a novos encontros e iniciativas”, agradecendo a a D. António Couto e a D. Américo Aguiar terem “aberto a possibilidade” desta cidade receber a Jornada Nacional da Juventude 2026.

Já D. António Couto, nas suas palavras de boas-vindas, afirmou que a passagem dos participantes do Rejoice “pelas ruas de Lamego já fez com que as pessoas se interrogassem”, e pediu que “continuem a ser testemunhas de Cristo”.

“É nesse Jesus manifestado na cruz, e na ressurreição que nós acreditamos. E é por causa d’Ele, só por causa d’Ele, que nós estamos aqui hoje, na cidade de Lamego, e assim havemos de continuar a viver com Cristo, por Cristo e de Cristo. Jovens, a minha profunda gratidão, e a minha sincera presença no meio de vós para viver convosco este tempo de alegria. Obrigado pelo vosso testemunho, esta nossa cidade e esta nossa diocese de Lamego precisam também do vosso testemunho”, desenvolveu o bispo diocesano.

 

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