Artista plástico e antigo religioso jesuíta é acusado de abusos psicológicos e sexuais por várias mulheres consagradas

Foto: Vatican Media
Cidade do Vaticano, 22 jul 2026 (Ecclesia) – A sala de imprensa da Santa Sé negou hoje qualquer decisão sobre o caso de Marco Rupnik, artista plástico e antigo religioso jesuíta acusado de abusos psicológicos e sexuais por várias mulheres consagradas.
“No que diz respeito a algumas informações divulgadas pelos meios de comunicação social nos últimos dias, reitero que as notícias relativas a qualquer deliberação por parte dos juízes que acompanham o caso do reverendo Marko Ivan Rupnik são absolutamente infundadas”, indica o comunicado enviado aos jornalistas.
A nota surge após rumores divulgados por blogues e replicados por vários meios de comunicação sobre uma alegada absolvição do antigo religioso.
“A apreciação do caso ainda está em curso e o colégio está a analisar a documentação proveniente das dioceses envolvidas, dos jesuítas, das partes interessadas e da imprensa”, adianta o Vaticano.
A 13 de outubro de 2025, o Dicastério para a Doutrina da Fé anunciou a nomeação de cinco juízes independentes para jugar o caso de Marko Rupnik, visando “garantir, como em qualquer processo judicial, a autonomia e a independência” do tribunal.
A sala de imprensa da Santa Sé realça que, “durante o processo, tal como em qualquer processo judicial, nenhuma informação sobre a atividade em curso pode ser divulgada de forma alguma, por respeito ao próprio processo e para evitar ferir todos os envolvidos no caso, tal como aconteceu nos últimos dias”.
“Caso o colégio considere que necessita de informações adicionais, caber-lhe-á tomar as medidas necessárias para as obter”, acrescenta a nota.
O comunicado destaca que o processo penal canónico tem natureza judicial e “está isento do prazo de prescrição de eventuais crimes”.
Precisando que “o Direito Canónico pode julgar e aplicar sanções no que diz respeito à vida interna da Igreja”, a Santa Sé acrescenta que, do ponto de vista civil, “Marko Rupnik continua sujeito à legislação dos países onde eventuais crimes tenham sido cometidos, sendo o prazo de prescrição para tais crimes estabelecido pela legislação de cada país, independentemente da autoridade eclesiástica”.
A 27 de outubro de 2023, o Papa Francisco confiou à Doutrina da Fé a tarefa de examinar o caso, após ter decidido “derrogar a prescrição para permitir a realização de um processo”.
A decisão foi tomada depois de a Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores denunciar “graves problemas” na forma como se geriu o caso do sacerdote, lamentando a “falta de proximidade com as vítimas”.
Em junho de 2023, a Companhia de Jesus informou que o padre Marko Ivan Rupnik tinha sido demitido devido à “recusa obstinada” em “observar o voto de obediência”.
O artista plástico de origem eslovena é acusado de abusos psicológicos e sexuais por nove religiosas, em casos que remontam à década de 1990 na Comunidade Loyola de Ljubljana.
OC
