Vaticano: Papa diz que sinodalidade é mais do que debate sobre «poder de decidir»

Discurso de encerramento do segundo consistório extraordinário do pontificado sublinha importância de encontros com o Colégio Cardinalício

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 27 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje o segundo consistório extraordinário do seu pontificado com um alerta sobre a sinodalidade, afastando o debate das disputas sobre a autoridade na Igreja.

“Parece-me que a questão da sinodalidade não é antes de mais quem tem o poder de decidir”, disse, no discurso conclusivo que proferiu perante cardeais dos cinco continentes.

Leão XIV sustentou que a questão é “mais profunda”.

“Como guardamos juntos o dom que o Senhor confiou à sua Igreja? Quando esta pergunta se torna o centro do nosso discernimento, também as questões da autoridade, da corresponsabilidade e das decisões encontram o seu lugar justo, iluminadas pela missão e pela fidelidade comum ao Evangelho”, desenvolveu.

O percurso global de receção da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, que mobilizou as comunidades católicas entre 2021 e 2024, vai culminar numa inédita Assembleia Eclesial agendada para outubro de 2028, no Vaticano.

O pontífice pediu aos cardeais que acompanhem as dioceses no acolhimento deste percurso.

A intervenção assumiu que a dinâmica sinodal é mais do que um método burocrático de trabalho, sublinhando que esta realidade “nasce do encontro, cresce na escuta e amadurece no discernimento”.

Quando nos escutamos com humildade e liberdade, dando espaço ao Espírito, as nossas conversações não ficam por um mero intercâmbio de ideias, mas tornam-se um lugar de conversão, no qual crescemos juntos na fidelidade ao Senhor.”

O Papa vincou que o objetivo passa por ajudar as comunidades a interiorizarem um “estilo espiritual” autêntico.

“A verdadeira questão não é quantas conversações saberemos organizar, mas que qualidade evangélica terão os nossos encontros”, precisou Leão XIV.

Foto: Vatican Media

Assumindo a intenção de manter um ritmo anual nos consistórios (reuniões de cardeais), Leão XIV assumiu que as duas experiências realizadas ajudaram a “redescobrir o significado mais autêntico” destes encontros, promovidos para que “na escuta recíproca e no discernimento comum, o Espírito Santo ajude o Papa a guiar a Igreja”.

“Não um Parlamento, não um congresso em que prevaleçam opiniões ou interesses, mas uma experiência de comunhão ao serviço da missão”, sustentou.

A reflexão conclusiva, com cerca de 20 minutos, advertiu que, num mundo marcado pela polarização extrema, a própria forma como a Igreja “escuta e dialoga faz parte do seu anúncio”.

O Papa evocou ainda a realização, no próximo mês de outubro, de um encontro com famílias e presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, para avaliar a implementação da exortação ‘Amoris Laetitia’, publicada por Francisco em 2016.

O programa oficial encerra-se na segunda-feira, com a Missa da solenidade de São Pedro e São Paulo.

Leão XIV decidiu convocar os cardeais, pela primeira vez, em janeiro deste ano, num encontro destinado a estabelecer prioridades para a Igreja Católica.

O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores.

OC

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