Leão XIV sublinha importância da unidade da Igreja, no segundo consistório extraordinário do pontificado

Cidade do Vaticano, 26 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à colaboração do Colégio Cardinalício para a sua missão, sublinhando a importância da unidade na Igreja
“Preciso do vosso apoio — forte, explícito e público”, declarou Leão XIV durante a sessão inaugural do consistório extraordinário.
“Em particular, conto convosco para me ajudardes a discernir o que o Espírito diz hoje à Igreja”, acrescentou, na abertura das sessões de trabalho no Auditório Paulo VI.
A intervenção de cerca de 13 minutos decorreu esta manhã, após o pontífice ter presidido à Missa na Basílica de São Pedro.
“O ministério que o Senhor me confiou não pode ser vivido sozinho. Ele necessita da vossa experiência, da vossa sabedoria pastoral, do vosso conhecimento das Igrejas e dos povos que vos estão confiados”, partilhou o Papa, perante cardeais dos cinco continentes.
O pontífice pediu conselhos “sinceros”, que considerou como um “ato de comunhão”, recomendando aos participantes que não ignorem “as dificuldades, os mal-entendidos e as resistências que podem retardar o caminho”.
Não somos guardiões de interesses particulares, mas discípulos e testemunhas do Reino de Deus, chamados a ser em Cristo fermento de fraternidade universal.”
O discurso estruturou a reunião de trabalho em torno de quatro eixos, da análise à violência no mundo atual à tensão entre o poder e o amor, passando pela promoção do “bem comum” e a metodologia sinodal.
“A missão não é uma das muitas tarefas da Igreja, é a razão da sua existência. E precisamente por isso torna-se também o critério que orienta o nosso discernimento”, sublinhou Leão XIV.
A reflexão papal alertou para as fraturas das sociedades contemporâneas, notando que as dioceses operam frequentemente em contextos marcados “pela guerra, pela violência, pela polarização social ou religiosa”.
O Papa desafiou os cardeais a escrutinarem o impacto da encíclica ‘Magnifica Humanitas’, frisando que o documento magisterial apenas avança quando “é acolhido, interpretado e encarnado na vida concreta das Igrejas”.
O pontífice defendeu ainda que a sinodalidade não representa uma diminuição da autoridade institucional, mas antes uma ferramenta indispensável para “guardar a comunhão” e orientar “o caminho comum da Igreja”.
Leão XIV reconheceu que a metodologia de debate em pequenos grupos, que marca estes encontros de cardeais, exige adaptação, encorajando os participantes a abraçarem este “exercício eclesial” com confiança.
O decano do Colégio Cardinalício tomou depois a palavra para manifestar o “pleno apoio” da assembleia ao Papa, elogiando as orientações do pontificado perante os dilemas da inteligência artificial e a “decadência dos valores éticos”.
O cardeal Giovanni Battista Re assinalou também o “crescente nível de pobreza humana”, agradecendo a firme condenação papal dos conflitos armados e a defesa intransigente de uma “civilização da paz”.
A metodologia do encontro divide os participantes em pequenos grupos para uma “escuta partilhada”, com intervenções individuais limitadas a três minutos e sem declarações à imprensa.
O programa oficial inclui um debate com o Papa, na tarde de sábado, sobre a implementação do Sínodo e encerra-se na segunda-feira com a Missa da solenidade de São Pedro e São Paulo.
“O exemplo dos santos Pedro e Paulo encoraja-nos a partilhar na fé a verdadeira liberdade”, indicou Leão XIV, esta manhã.
O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores.
OC
Vaticano: Papa condena violência e pede unidade, na abertura do consistório extraordinário
