Instituições alertam para efeitos das guerras e destacam que crianças e mulheres pagam «o preço mais alto por falhas que não criaram»

Roma, 23 jun 2026 (Ecclesia) – A ‘Caritas Internationalis’, o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e a World Vision International (WVI) lançaram um apelo conjunto em defesa de milhões de pessoas “empurradas para fome e desnutrição”, defendendo novas escolhas políticas.
“O mundo continua a produzir mais do que o suficiente para alimentar cada criança, mulher e homem. No entanto, milhões de pessoas são empurradas para uma fome e desnutrição cada vez mais graves por causa de conflitos, deslocamentos, instabilidade económica e choques climáticos. São as crianças e as mulheres quem paga o preço mais alto por falhas que não criaram”, explicam as instituições.
O documento sublinha que, hoje, “a fome não é causada pela escassez de alimentos”.
As organizações signatárias alertam para os efeitos da escalada das guerras e conflitos “muito para além das regiões imediatamente afetadas” e das suas comunidades, nomeadamente no Sudão, na Ucrânia e na Rússia e em todo o Médio Oriente, que destroem “meios de subsistência, sistemas agrícolas, mercados e infraestruturas”.
“Ao mesmo tempo, as perturbações no fornecimento de energia, nos mercados de fertilizantes, nas rotas de transporte marítimo e no acesso humanitário estão a propagar ondas de choque por todo o sistema alimentar global, tornando os alimentos, os combustíveis e os bens essenciais mais caros e menos acessíveis para as famílias vulneráveis em todo o mundo”, indica o apelo conjunto.
As organizações uniram as suas vozes “em consternação, solidariedade e ação, num momento de profunda crise global”, acrescentam que não se trata de “uma crise regional”, mas “é um choque no sistema alimentar global” com consequências graves para as comunidades mais vulneráveis, “mergulhando-as na fome e na desnutrição”.
Segundo o comunicado, divulgado pela confederação internacional da Cáritas, as crianças, as famílias deslocadas e as mulheres grávidas e lactantes, entre outros, “enfrentam os maiores riscos decorrentes do agravamento da fome e da desnutrição”, e afirmam que o acesso a uma alimentação adequada e nutritiva “é um direito humano sagrado”.
Ninguém deveria sofrer ou morrer — especialmente as crianças — porque decisões políticas privilegiam a guerra, a divisão e os interesses de curto prazo em detrimento da vida humana e do bem comum.”
As Igrejas e organizações de inspiração religiosa reafirmam o “compromisso” de caminhar ao lado das comunidades afetadas pela fome, “de defender sistemas alimentares justos e sustentáveis”, e de trabalhar por um mundo onde “cada criança possa crescer, florescer e viver livre da fome e da desnutrição”.
Os secretários-gerais do CMI e da Caritas Internationalis, respetivamente o professor Jerry Pillay e Alistair Dutton, presidente e diretor-executivo da WVI, Andrew Morley, assinalam que “a crise global da fome não é inevitável”, mas o resultado de escolhas, e que “outras escolhas são possíveis”.
O Papa Leão XIV alertou esta segunda-feira, em Roma, para a secundarização da ajuda humanitária perante o investimento global em armamentos, apelando à renovação do compromisso multilateral contra a fome, falando na abertura da sessão anual do conselho de administração do Programa Alimentar Mundial (PAM), da ONU.
| As Igrejas Cristãs e organizações fazem um apelo com seis pontos aos governos, às instituições multilaterais, aos doadores e às comunidades religiosas:
– Protejam o acesso humanitário e respeitem o direito internacional humanitário, garantindo que a alimentação nunca seja utilizada como arma de guerra; – Salvaguardem e ampliem os investimentos na nutriçãoinfantil, no tratamento da subnutrição crónica e aguda, nas refeições escolares e nos programas de proteção social; – Reforcem sistemas alimentares resilientes, protegendo as cadeias de abastecimento alimentar, a produção agrícola e os corredores humanitários; – Apoiem os pequenos agricultores, os produtores alimentares locais e a agricultura adaptada às alterações climáticas, especialmente em contextos frágeis e afetados por conflitos; – Garantam que as decisões de política externa, comércio, sanções e segurança sejam avaliadas quanto ao seu potencial impacto na segurança alimentar, na nutrição e no acesso humanitário; – Privilegiem a consolidação da paz, a diplomacia e a dignidade humana em detrimento da militarização e da divisão; |
CB/OC
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