Vaticano: Papa condena justificações religiosas da guerra

«O nome de Deus não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação», escreve Leão XIV

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 15 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa condenou hoje qualquer ligação entre a religião e os conflitos armados, advertindo quem usa a fé para justificar projetos nacionalistas.

“Infelizmente, esta tentação de profanar o nome de Deus atinge também quem se professa cristão”, lamenta Leão XIV, num texto divulgado hoje, em resposta a uma carta dos leitores na revista ‘Praça de São Pedro’, do Vaticano.

A mensagem questionava a contradição de derramar “sangue inocente”, invocando o sagrado como instrumento de divisão.

O Papa reforça essa ideia, denunciando as tentativas dos poderosos do mundo de dissimular intenções belicistas através de justificações religiosas.

“O nome de Deus não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação; sobretudo, nunca deve ser invocado para justificar escolhas e ações de morte”, adverte.

“A missão da Igreja, a missão do sucessor de Pedro, não pode ser senão a de invocar a paz”, acrescenta o pontífice.

A mensagem do Papa dirige o olhar para os cenários atuais de combate, evocando a destruição provocada por mísseis e drones na Ucrânia e no Médio Oriente.

“Desde o início do meu ministério invoquei o dom de uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante”, assinala Leão XVI.

A neutralização das tensões globais, sustenta o pontífice, obriga as comunidades católicas a promoverem ativamente a aproximação pacífica entre diferentes matrizes.

“O convite é o de cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecuménico e inter-religioso como vias de paz e linguagens do encontro entre tradições e culturas”, apela Leão XIV.

OC

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