Canárias: Migrantes relatam drama dos naufrágios e pedem oportunidades

Encontro com o Papa, em Tenerife, sublinhou importância do acolhimento e da promoção humana

Foto: Vatican Media

San Cristóbal de La Laguna, Espanha, 12 jun 2026 (Ecclesia) – Os migrantes acolhidos em Tenerife partilharam hoje com o Papa Leão XIV os traumas dos naufrágios, pedindo oportunidades de formação profissional para alcançar a independência laboral em território espanhol.

“A minha viagem num pequeno barco foi tudo menos fácil. Tentei duas vezes. Vinte pessoas morreram à primeira tentativa. Lembro-me de quando cheguei a casa, o meu pai abraçou-me a chorar e disse-me que não tinha dormido a noite toda porque sonhou que o barco virava no mar”, relatou o marroquino Khalid Allad, de 24 anos.

O percurso do jovem culminou na assinatura de um pré-contrato de trabalho e na obtenção de autorização de residência, após receber apoio da Fundação Dom Bosco (Salesianos).

O senegalês Mbacke interveio em representação das estruturas dedicadas a menores não acompanhados para sublinhar a importância do acesso a múltiplas ferramentas de capacitação.

“Tenerife ensinou-me que a irmandade existe para além dos laços de sangue. Aqui, vi que quando alguém estende a mão sem pedir nada em troca, o medo desaparece e nasce a esperança”, declarou o migrante, sob os aplausos da multidão reunida na Praça de Cristo.

“Santo Padre, peço-lhe que continue a lembrar ao mundo que por detrás de cada jovem migrante existe um sonho, uma mãe que reza e uma vida que merece uma oportunidade”, acrescentou.

A colombiana Thalia Johana Saldarriaga Diago, há três anos na ilha, assinalou o risco de exclusão social e da perda de habitação que assombra as populações recém-chegadas, agradecendo o apoio das instituições católicas.

“Na Igreja também me senti em casa, como se estivesse em família, e essa era uma necessidade que tinha desde que cheguei”, referiu a mulher, de 48 anos.

O programa matinal incluiu o relato do sacerdote venezuelano Darwin Rivas, responsável pelo auxílio direto a embarcações precárias no cais de La Restinga.

“Demos tudo e continuamos a dar tudo, sem esperar nada em troca, para aliviar esta crise humanitária. Obviamente, tem sido uma experiência difícil, mas enriquecedora”, relatou.

O encontro foi aberto pelo bispo de San Cristóbal de La Laguna, Eloy Alberto Santiago, que valorizou a forte diversidade demográfica presente no seio das paróquias da região.

A passagem do Papa por Tenerife, a segunda ilha que visita nas Canárias, começou no centro de acolhimento ‘Las Raices’.

OC

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