Canárias: Papa convida a trabalhar por uma vida «livre e digna» para todos, evocando vítimas dos naufrágios

Leão XIV encerra primeiro dia de visita ao arquipélago com Missa para milhares de pessoas

Foto: Vatican Media

Las Palmas, Espanha, 11 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa presidiu hoje à Missa no Estádio de Gran Canaria, reunindo milhares de pessoas, destacando a importância de promover uma vida “livre e digna” para as pessoas mais desfavorecidas.

“A nossa caridade não deve limitar-se a um mero assistencialismo, mas deve integrar as pessoas, para a sua plena realização – espiritual, intelectual e física – e a sua inserção digna e construtiva na comunidade” disse Leão XIV, na homilia da celebração.

A intervenção elogiou o trabalho das comunidades católicas em favor dos “mais necessitados, indefesos, incapazes de dar algo em troca”.

“Desejo dar graças ao Senhor por tanto bem que aqui se faz quotidianamente, confiando-lhe o empenho de todos e, ao mesmo tempo, os sofrimentos de que esta terra é testemunha”, realçou o Papa, no dia em que se assinala a solenidade do Coração de Jesus.

“O Evangelho convida a deixar-nos atrair, traduzindo a medida infinita do amor de Deus na generosidade com que o servimos, todos os dias, nos irmãos e irmãs que Ele próprio coloca no nosso caminho”, acrescentou.

A homilia convidou a superar a lógica do “cálculo” e o “mero sentimento”, sustentando que ação caritativa da Igreja é mais do que “filantropia”.

“Olhemos uns para os outros, não só neste dia, mas sempre, com respeito e confiança”, pediu.

A gratuidade do Coração de Cristo não se limita a isto. Vai ainda mais longe, comprometendo-se a ajudar cada um não só a sobreviver, mas também a recuperar a confiança e a retomar o caminho, para crescer e florescer plenamente na sua singularidade, para o bem de todos.”

Após ter saudado a multidão de cerca de 50 mil pessoas, num percurso em veículo aberto, o Papa subiu ao altar, onde evocou o “dia rico de encontros e partilhas” que marcou a sua estadia na ilha espanhola.

Leão XIV tornou-se o primeiro pontífice a visitar o arquipélago das Canárias, numa viagem marcada pela atenção ao drama das rotas migratórias, recordando milhares de mortes na ligação pelo Atlântico, desde o continente africano.

“Convido-vos a rezar juntos, nesta Santa Missa, pelos irmãos e irmãs que perderam a vida no mar”, disse.

A intervenção concluiu-se com uma oração, pedindo que “cessem as guerras no mundo” e cresça à “uma nova humanidade, reconciliada no amor”.

Na oração dos fiéis foram apresentadas intenções em várias línguas, rezando pelos que “perderam a vida nas águas do Atlântico”, bem como pelo “fim das guerras e da fome”.

O Papa encerra a sua viagem de sete dias à Espanha esta sexta-feira, na ilha de Tenerife, onde visita um centro de acolhimento especializado e preside a uma Eucaristia no porto de Santa Cruz, antes do regresso a Roma.

OC

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