Irlanda do Norte: Igrejas condenam violência contra estrangeiros

Cidade de Belfast tem sido palco de protestos

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 11 jun 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Irlandesa condenou os ataques anti-imigração em Belfast, apelando à sociedade para rejeitar o racismo e a violência.

“A verdadeira medida de uma sociedade justa é aquela que acolhe eficazmente os recém-chegados, combate o racismo e rejeita a retórica política divisiva”, escreveram os bispos católicos no final da sua assembleia geral.

Os responsáveis classificaram como “desconcertantes” as ações de vandalismo direcionadas contra as habitações e os negócios das famílias migrantes, pedindo que “a dignidade sagrada de cada pessoa seja respeitada por todos”.

“Quem escolhe prejudicar as comunidades locais, colocando em risco pessoas de todas as idades, não representa a maioria da nossa sociedade”, advertiu o bispo anglicano David McClay, juntando-se às críticas da Igreja Católica.

“A grande maioria dos muçulmanos, migrantes e minorias étnicas são cidadãos respeitadores da lei que contribuem positivamente para a sociedade e rejeitam a violência”, garantiu, por sua vez, o Conselho Muçulmano Irlandês.

A cidade de Belfast registou novos confrontos na noite de quarta-feira, obrigando a polícia a utilizar canhões de água para dispersar cerca de duzentos manifestantes que incendiaram um camião em Sandyknowes.

Os distúrbios começaram na última terça-feira após um cidadão sudanês ter sido detido sob a acusação de tentativa de homicídio, na sequência do esfaqueamento brutal de um homem na via pública.

A vítima da agressão sofreu ferimentos nas costas e perdeu o olho esquerdo, desencadeando uma onda de protestos de rua que as estruturas religiosas descreveram como uma “caça ao estrangeiro”.

OC

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