«Há muitos países na África, onde há muitos cristãos a serem assassinados só por serem cristãos, só pela fé», lamentou D. Manuel Quintas

Faro, 08 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve lamentou o assassinato do bispo moçambicano D. Osório Citora Afonso, que realizou uma experiência missionária na diocese portuguesa durante dois anos, falando na Eucaristia do Dia dos Missionários, este domingo, em São Brás de Alportel.
“Queremos rezar por Moçambique, particularmente pela Igreja diocesana de Quelimane, neste momento duro. Não se sabe porquê, mas sabe-se como: foi um tiro no coração, certeiro, de noite. Alguém invadiu o palácio episcopal e provocou este crime”, disse D. Manuel Quintas, citado pelo jornal ‘Folha do Domingo’ da Diocese do Algarve.
D. Osório Citora Afonso, de 54 anos de idade, bispo de Quelimane e administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, foi morto a tiro, este sábado, dia 6 de junho, na Casa Episcopal, num crime cometido por indivíduos ainda não identificados.
No Algarve, D. Manuel Quintas manifestou “comunhão” com a diocese moçambicana que “perdeu o seu bispo desta maneira tão dramática”, e afirmou que também querem “usufruir do testemunho, do martírio do sangue dele e de tantos que nos dias de hoje continuam a dar a vida porque são discípulos de Jesus e porque são cristãos”.

“Hoje continua este mundo a ser regado como antigamente, nos primeiros séculos, com o sangue de muitos mártires, que é sempre um sangue fecundo, gerador de novos cristãos e de cristãos mais autênticos, mais firmes na sua fé, porque mais enraizados e alicerçados em Cristo, mais inseridos nas próprias comunidades, nas próprias paróquias, na diocese. É isto que nos faz e nos ajuda a crescer como verdadeiros missionários”, desenvolveu D. Manuel Quintas.
Na Eucaristia do Dia Diocesano dos Missionários do Algarve, o bispo português lamentou que é “fácil eliminar as pessoas por motivos religiosos”, ao recordar que D. Osório Citora Afonso, religioso do Instituto dos Missionários da Consolata, viveu nesta diocese enquanto realizou uma experiência missionária, durante dois anos.
“Há muitos países na África, onde há muitos cristãos a serem assassinados só por serem cristãos, só pela fé. E queremos ter presente este testemunho missionário destes mártires dos nossos dias que devem acalentar e animar a nossa fé, a nossa esperança e o nosso entusiasmo missionário”, acrescentou, na igreja matriz de São Brás de Alportel.
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A Diocese do Algarve reuniu cerca de 120 pessoas no seu Dia dos Missionários, este domingo, 7 de junho, a partir das 10h30, na Paróquia de São Brás de Alportel, uma iniciativa do Secretariado Diocesano de Animação Missionária, com a Liga Intensificadora da Ação Missionária (LIAM). “Que este dia de encontro diocesano da LIAM possa ajudar-nos a todos a sermos mais e melhores missionários, sermos mais e melhores discípulos de Jesus, deixando que Ele olhe para os nossos olhos, olhando nós também com o olhar d’Ele, de modo que, nesse olhar, haja esta atração irresistível que mobilizou Mateus”, disse D. Manuel Quintas. Com o tema ‘Com Maria, levemos a Paz e a Esperança ao mundo’, este dia diocesano começou com uma marcha, após a concentração no centro de São Brás de Alportel, até à igreja matriz, onde foi celebrada a Missa, presidida pelo bispo que destacou que sem encontro com Jesus “não há animação missionária”. “Se não nos encontrarmos com Ele, se não vamos à fonte, nesta relação olhos nos olhos, coração a coração, não nos transformamos, não nos convertemos, não nos deixamos evangelizar. Até os gestos solidários e fraternos que temos correm o risco de não sair do coração e, por isso, não nos transformam”, desenvolveu D. Manuel Quintas. Os membros do Conselho Diocesano e dos animadores dos núcleos paroquiais da LIAM renovaram o compromisso missionário, e manifestaram ao bispo “profunda gratidão, neste momento em que cessa a sua missão pastoral”. A Missa, antes do almoço-convívio missionário, foi concelebrada pelo diretor do Secretariado Diocesano de Animação Missionária, e assistente diocesano da LIAM, o padre Paulinus Anyabuoke, informa o jornal ‘Folha do Domingo’. |
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