Porta-voz do Vaticano pede respeito pela «privacidade» de todas as pessoas

Cidade do Vaticano, 05 jun 2026 (Ecclesia) – A Santa Sé confirmou hoje que o Papa vai reunir-se com vítimas de abusos sexuais durante a viagem apostólica a Espanha, alterando as informações transmitidas no início da semana.
“Posso confirmar que, durante a sua próxima Viagem Apostólica, o Santo Padre se encontrará com várias vítimas de abusos clericais em Espanha”, informou o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, em nota enviada aos jornalistas.
O esclarecimento oficial detalha que o momento de diálogo foi organizado pelas instâncias da Igreja espanhola.
“Mais informações serão divulgadas após o encontro, respeitando as vítimas, os seus desejos e a sua privacidade”, refere a nota.
Leão XIV visita o território espanhol entre 6 e 12 de junho, cumprindo um roteiro com passagens por Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canária e Santa Cruz de Tenerife.
A 8de janeiro deste ano, o Ministério da Justiça, a Conferência Espanhola de Religiosos (CONFER) e a Conferência Episcopal Espanhola (CEE) assinaram um acordo para sobre a resposta às vítimas de abusos sexuais.
O documento refere-se aos casos que “não tiveram tramitação judicial” e conta com um canal próprio, através do “defensor do Povo” – equivalente ao provedor de Justiça, em Portugal – instituição que protege e defende os direitos fundamentais e as liberdades públicas da cidadania.
“A Igreja em Espanha e o Governo concordaram em abrir uma via através do defensor do Povo para as pessoas vítimas de abusos sexuais que não desejem recorrer diretamente à Comissão PRIVA, estabelecida pela Igreja”, precisou a CEE.
O sistema prevê uma “reparação integral” que, além das questões económicas, inclui apoio psicológico ou psiquiátrico com profissionais à escolha da vítima, extensível à família, e medidas de carácter simbólico e moral.
O Governo aceitou que as reparações económicas estejam isentas de tributação, em particular do imposto sobre o rendimento.
Para assegurar a eficácia da medida, a CEE e a CONFER assumiram o compromisso de garantir o pagamento das reparações caso a diocese ou a congregação responsável não o faça dentro do prazo estabelecido.
Este sistema acordado de reconhecimento e reparação tem “o critério técnico do gabinete do defensor do Povo, a avaliação da Comissão PRIVA, o consenso entre a Igreja Católica e o Estado e a participação das vítimas”.
O gabinete vai estudar os casos apresentados e propor um canal de reparação, que será “estudado e avaliado pela Comissão PRIVA”.
No processo de decisão, caso não se chegue a um consenso na comissão mista entre a Igreja e o Estado, a resolução definitiva cabe ao gabinete do defensor do Povo.
OC
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