Leiria: D. José Ornelas recusa atitudes racistas e elogia solidariedade, na celebração do Corpo de Deus

Celebração do Corpo de Deus evocou ainda efeitos da passagem da tempestade Kistin

Foto: Diocese de Leiria-Fátima

Leiria, 05 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima advertiu esta quinta-feira que a participação na Eucaristia exige coerência de vida e a rejeição absoluta de comportamentos discriminatórios.

“Não se pode participar na Eucaristia e ser racista, não se pode partilhar o pão de Deus e dizer a um irmão que se senta ao meu lado ‘vai para a tua terra!’”, afirmou D. José Ornelas, na homilia da solenidade do Corpo de Deus.

A celebração reuniu milhares de fiéis no jardim de Santo Agostinho, registando uma afluência que duplicou o número de participantes face ao ano anterior.

“A Eucaristia é a expressão do sonho de Deus”, sublinhou o responsável católico, apelando à superação de todas as barreiras e preconceitos na comunidade cristã.

A reflexão, divulgada hoje pelo site da Diocese de Leiria-Fátima, evocou a recente onda de interajuda desencadeada pelos estragos provocados pela tempestade Kristin no território diocesano.

“Não sentimos apenas a força destruidora do vento: experimentámos também o vento reconfortante da solidariedade de tantas pessoas e instituições”, partilhou D. José Ornelas.

O bispo associou a capacidade de reconstrução civil à força congregadora gerada pela partilha do sacramento.

“Reúne-nos para que ninguém fique só e abandonado com as suas dificuldades”, sustentou.

A Eucaristia vespertina contou com a presença dos bispos eméritos D. António Marto e D. Serafim Ferreira e Silva, além de dezenas de crianças que preparam a Primeira Comunhão.

“Celebrar e caminhar juntos para levar Cristo ao mundo constitui o resumo do nosso ser cristão”, indicou D. José Ornelas, no arranque da celebração.

O bispo diocesano alertou a assembleia para o perigo de reduzir o momento litúrgico a um mero dever formal e desligado da realidade social.

“Não há verdadeira Eucaristia sem essa partilha do pão que permite a vida, a justiça e a dignidade de cada irmão”, declarou.

O programa encerrou com a tradicional procissão pelas ruas da cidade, unindo o jardim de Santo Agostinho ao adro da Sé.

OC

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