Bragança-Miranda: Bispo pede «nova sociedade» e alerta para o poder das palavras

D. Nuno Almeida celebrou solenidade do Corpo de Deus na Catedral de Bragança e na aldeia eucarística de Pereira

Fotografia: André Lopes

Bragança, 05 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo de Bragança-Miranda apelou à edificação de uma comunidade enraizada na solidariedade, durante as celebrações da solenidade do Corpo de Deus.

“A Eucaristia abre-nos à justiça e à partilha, com uma atenção preferencial para com quem carrega o fardo da pobreza e da marginalização”, afirmou D. Nuno Almeida, na homilia proferida na aldeia eucarística de Pereira e na Catedral de Bragança.

A intervenção, enviada hoje à Agência ECCLESIA, sublinhou a exigência de traduzir o sacramento em ações concretas que combatam as exclusões geradas pelas novas redes económicas e tecnológicas.

“Os cristãos sentem-se comprometidos a irradiá-la nos vários âmbitos da convivência humana através da experiência de fraternidade, do espírito da paz e reconciliação”, apontou o prelado.

A intervenção alertou para a necessidade de purificar a linguagem quotidiana, estabelecendo uma oposição clara entre as atitudes que geram união e as que provocam fraturas na sociedade.

“O contrário de bendizer é maldizer, bendizer une e maldizer divide”, explicou o bispo de Bragança-Miranda.

A reflexão apoiou-se no magistério do Papa para exigir uma revisão profunda sobre os preconceitos e a agressividade instalada nos discursos atuais.

“Temos uma possibilidade real de contribuir para o bem sempre que dizemos a verdade, quando damos um conselho sábio ou quando apoiamos quem precisa de conforto”, citou, a partir da primeira encíclica de Leão XIV, ‘Magnifica Humanitas’.

O responsável diocesano clarificou que a vivência eucarística ultrapassa o mero cumprimento de um cerimonial religioso.

“Faz-nos bem recordar que a Eucaristia não é algo, é Alguém, não é um ritual, mas encontro com Jesus Cristo vivo”, precisou D. Nuno Almeida.

O bispo rematou a pregação pedindo aos crentes que assumam uma dinâmica de doação contínua a favor do próximo no seu dia a dia.

“Somos chamados a fazer ponte entre Jesus e a humanidade a quem Ele continua a dirigir o convite”, concluiu.

OC

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