CEP: Comissão da Bíblia apresenta nova tradução do Segundo Livro dos Macabeus

«Não é uma sequência narrativa do primeiro, referindo-se a acontecimentos anteriores e contemporâneos», explicam os tradutores

Lisboa, 01 jun 2026 (Ecclesia) – A comissão coordenadora da tradução da Bíblia, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), lançou hoje o Segundo livro dos Macabeus (2Mac), que “não é uma sequência narrativa do primeiro”, que “acentua especialmente a importância do templo na religiosidade judaica”.

“O pensamento teológico desenvolvido nos dois livros apresenta diferenças significativas. 1Mac insiste na importância da Lei e do seu cumprimento; 2Mac, por sua vez, acentua especialmente a importância do templo na religiosidade judaica, terminando justamente com a narração da sua nova dedicação”, explica a comissão coordenadora, em nota enviada à Agência ECCLESIA.

Os especialistas acrescentam que, por outro lado, enfatiza a “dimensão didática da história, de modo particular os sofrimentos do povo judeu”, a teologia apresentada no livro aproxima-se, “em vários aspetos, do pensamento do NT”: alude-se, pela primeira vez, à criação ex nihilo (2Mac 7,28), assim como à ressurreição dos justos (2Mac 7,9.11.14.23.29), à luz da qual tem especial sentido o martírio (2Mac 7), tal como os sacrifícios e as orações oferecidas pela expiação dos pecados dos que morreram (2Mac 12,41-45; 15,12-16).

A comissão coordenadora da tradução da Bíblia da CEP sublinha que o segundo livro dos Macabeus, que teria sido redigido em 124 a.C (2Mac, 1,10), “não é uma sequência narrativa do primeiro”, referindo-se a acontecimentos anteriores e contemporâneos, nomeadamente ao período entre 175-160 a.C., termina com “a morte de Nicanor, antes da morte de Judas Macabeu”.

Os tradutores contextualizam que os dois livros dos Macabeus “não faziam parte do cânone judaico”, integraram a tradução dos LXX, foram reconhecidos como “inspirados pela Igreja Católica”, e incorporados definitivamente no cânone definido pelo Concílio de Trento.

O título destes livros bíblicos remonta a São Clemente de Alexandria (séc. III), que os designou por causa do papel central que Judas, chamado Macabeu, “desempenha nos acontecimentos narrados”, e foram incluídos na secção dos livros históricos do AT pelas informações que oferecem – “os acontecimentos da história de Israel, entre 200-134 a.C.” –, e pelo seu género literário.

Em fevereiro deste ano, de 2026, a Comissão Coordenadora da Tradução da Bíblia da Conferência Episcopal Portuguesa colocou online a tradução do primeiro livro dos Macabeus, que  abrange um período de 40 anos, “desde a subida de Antíoco IV Epífanes ao poder (175 a.C.) até ao início da dinastia asmoneia, com o governo de João Hircano (134 a.C.)”.

A Comissão Coordenadora ao publicar online o Segundo livro dos Macabeus convida, mais uma vez, a comunidade a envolver-se no processo de tradução e revisão deste documento, acolhe o contributo dos leitores, “em ordem ao melhoramento da compreensibilidade do texto”.

A tradução provisória deste livro e dos outros textos bíblicos está disponível para download na página da internet da Conferência Episcopal Portuguesa, os contributos dos leitores podem ser enviados através do endereço eletrónico [email protected].

Em março de 2019, a Conferência Episcopal Portuguesa apresentou o primeiro volume da nova tradução da Bíblia em português feita por 34 investigadores a partir das línguas originais, com a publicação da edição de ‘Os Quatro Evangelhos e os Salmos’.

Desde agosto de 2021, um novo livro da Bíblia é disponibilizado mensalmente em formato digital e divulgado pela Agência ECCLESIA.

CB

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