Lisboa: Bênção de Finalistas é «um lançamento para o futuro»

«Pedir a bênção é dizer que queremos Deus nas nossas vidas profissionais, depois da universidade» – Padre Miguel Vasconcelos

Lisboa, 22 mai 2026 (Ecclesia) – Francisca Crujeira e Francisco Carneiro Gomes são dois estudantes que vão celebrar a Bênção de Finalistas Universitários 2026, este sábado, em Lisboa, onde estão inscritos mais de 5200 estudantes, de 38 instituições de ensino, na Alameda da Universidade.

“Eu acho que é uma maneira boa de fechar um ciclo, de agradecer tudo o que vivemos nesses últimos três anos, agradecer as oportunidades que foram surgindo ao longo dos anos, e de certa forma é dar-nos um boost para o que aí vem”, disse Francisca Crujeira, finalista de Gestão na Nova SBE – School of Business and Economics – (Faculdade de Economia) da Universidade Nova de Lisboa, esta sexta-feira, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, vai presidir à Bênção de Finalistas Universitários, a 42.ª edição, que tem como lema ‘Do empenho à missão, numa vida com sentido’, está projetada uma assembleia superior a 45 mil pessoas para a celebração que se vai realizar este sábado, dia 23 de maio, na Alameda da Universidade, na capital portuguesa.

Já Francisco Carneiro Gomes, que “não podia estar mais de acordo” com Francisca Crujeira, afirma que esta celebração da Bênção de Finalistas Universitários “é um vão”.

“Um lançamento para o futuro, para o que a vida nos traz”, explicou o estudante finalista de Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Segundo o diretor da Pastoral Universitária do Patriarcado de Lisboa o propósito de “pedir a bênção”, que é o que os estudantes que terminam os cursos vão fazer, é dizer que querem “Deus, o infinito, o eterno e o inefável nas vidas profissionais, depois da universidade”.

“E querer Deus, querer o infinito, é apontar alto, apontar para o máximo possível, não ficar contente com uma vida vivida pelos mínimos. Nós encontramos na vida, eles já encontraram, e encontrarão na vida pela frente muitos dilemas, muitas bifurcações onde vão ter que escolher. E nessa altura a bênção, cremos nós, ajuda a escolher alto, a escolher o caminho grande”, desenvolveu o padre Miguel Vasconcelos, que é também o capelão da UCP.

Para Francisca Crujeira, a Pastoral Universitária “é essencial”, “também como tubo de escape um bocado dos estudos”, os exames, “muita pressão”, e “é um bocado o refúgio”, também “quando as coisas não estão a correr assim tão bem”, e regressam de “uma maneira especial”, com “forças para continuar, acabar o curso”.

“Na Católica, nós temos a Capelania, e realmente é muito, muito bom poder ter um sítio e poder ter amigos que partiram dos mesmos valores que eu. Especialmente no Mundo da Comunicação, é um bocadinho competitivo demais, por vezes, e ter ali amigos e colegas que nos ajudam também a perceber que caminho tomar, enquanto cristãos e estudantes, é muito bom”, desenvolveu Francisco Carneiro Gomes.

O diretor do Setor da Pastoral Universitária do Patriarcado de Lisboa acrescenta este serviço da Igreja Católica “tem o privilégio de estar presente nessa fase decisiva” dos finalistas, e “procura duas coisas principais”: “A primeira é ajudar a que a Igreja se torne uma casa nestes anos, um lugar de pertença; e outro aspeto muito significativo é que mais do que um profissional que tenha prática cristã, interessa-nos que viva a sua profissão, que viva as áreas do saber onde andou, da perspetiva cristã”, desenvolveu o padre Miguel Vasconcelos, no Programa ECCLESIA, desta sexta-feira, na RTP2, onde comentaram as leituras que vão ser lidas nas Missas deste domingo.

Neste sentido, o sacerdote exemplificou que um “gestor cristão, um gestor católico, não pode ser igual a um gestor qualquer”, ou alguém que comunica como cristão tem de “estar preocupado com a verdade, de uma maneira absolutamente central e decisiva”.

Bênção de Finalistas assumiu-se como um marco espiritual desde a sua primeira edição em 1983, na Sé de Lisboa, sendo transmitida em direto pelas plataformas digitais do Patriarcado.

PR/CB/OC

Foto: Arlindo Homem

Para Francisca Crujeira terminar um curso sonhado e trabalhado ao longo de tanto tempo “é um sentimento de satisfação, e também gratificação” pela oportunidade de tirar um curso superior, a finalista de Gestão sente-se “bastante entusiasmada para começar já uma carreira profissional ou um mestrado primeiro”.

“Estou um bocado indecisa se vai logo para mestrado, ou primeiro fazer um estágio. Eu acho que hoje em dia há imensa competição, e muita gente quer o mesmo, então acho que se torna um bocado mais difícil encontrar estágios que satisfaçam aquilo que estamos à procura, pelo menos na área de gestão e economia”, desenvolveu a finalista da Nova SBE – School of Business and Economics – da Universidade Nova de Lisboa.

Francisco Carneiro Gomes concorda que terminar o Ensino Superior “é um sentimento gratificante”, porque foram “três anos muito bons” e estão a chegar ao fim, o que “é muito bom também”, mas, ao mesmo tempo, “é preocupante o que é que virá daí”, especialmente numa área que “é muito abrangente”, e ainda não sabe o que é que vai escolher “dentro deste mundo todo da comunicação”.

Segundo o finalista de Comunicação Social e Cultural da UCP três anos, “às vezes, pode ser pouco” para uma escolha profissional “para a vida”, no seu caso, o curso “vai afunilando, para certas especializações”.

O padre Miguel Vasconcelos afirma que entre a receção ao caloiro e a bênção dos finalistas “as diferenças são grandes”, porque quando os alunos mais novos começam a entrar na universidade vê-se, “até nas caras deles”, que é “um mundo completamente novo, são um bocadinho de crianças”.

“E são anos de uma transição muito significativa, porque são os anos da universidade onde se constrói a estabilidade da personalidade, e há alguma coisa sobre a identidade, sobre quem somos, e também, na perspetiva da fé, sobre quem somos aos olhos de Deus, que no fundo ajuda a esclarecer a identidade mais profunda que temos”, desenvolveu o capelão da UCP.

O programa pastoral da Igreja de Lisboa para o ensino superior prossegue no domingo de Pentecostes, 24 de maio, com a celebração do Crisma de 93 universitários.

Lisboa: Bênção dos finalistas com participação prevista de 45 mil pessoas

 

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