Media: D. José Pereira assinala 122 anos do jornal A Guarda e afirma «papel determinante» da comunicação no «compromisso com a verdade»

Bispo escreveu mensagem a propósito do aniversário da publicação centenária, lembrando também Dia Mundial das Comunicações Sociais

Guarda, 18 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda lançou hoje uma mensagem a assinalar os 122 anos do jornal semanário católico-regionalista da cidade, que se celebraram a 15 de maio, refletindo também sobre a comunicação e a verdade.

“O nosso jornal está em festa: 122 anos de vida é um grande tesouro de experiência acumulada, de histórias relatadas, de vidas contadas, de perspetivas partilhadas”, afirmou D. José Pereira, no documento com o título “Comunicar com verdade: entre a exposição e a reserva”, enviado à Agência ECCLESIA.

O bispo destacou que, ao longo destas décadas, a publicação esteve sempre ao serviço da comunicação, “chamada a pôr pessoas em relação, a permitir que ninguém fique encerrado em si mesmo, mas que os mundos de cada um e de todos se interpenetrem, e promovam o alargamento que faz crescer”.

O Jornal ‘A Guarda’ foi publicado, pela primeira vez, no dia 15 de Maio de 1904, tendo como fundador o bispo D. Manuel Vieira de Matos, e atualmente continua a sua missão de informar e formar, através de um jornalismo de proximidade.

No texto, o bispo diocesano faz referência ao Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se festejou este domingo, evocando a mensagem do Papa para este dia, com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”.

“Promover uma comunicação responsável e humanizante surge, em primeiro lugar, como um imperativo ético de cuidado e defesa da dignidade da pessoa humana, e de respeito pela personalidade de cada um”, destacou D. José Pereira.

O bispo defende que esta “não pode submeter-se aos ditames dos interesses particulares dos Estados, de sociedades secretas, de grupos detentores de empresas de comunicação, de visões ideológicas que, muitas vezes, não hesitam em recorrer à manipulação e às meias verdades (ou mesmo mentiras) para impor os seus objetivos”.

Para D. José Pereira, tanto a “narração factual dos acontecimentos ocorridos”, como “o debate subjetivo de ideias e diferentes mundividências”, “precisam de estar ancorados no compromisso inalienável com a verdade e no sentido da procura do bem comum, isto é, do bem mais abrangente possível”.

Quanto ao compromisso com a verdade, a comunicação tem um papel determinante. Num mundo plural, é comum desconsiderar-se a possibilidade da verdade objetiva, havendo quem considere ser apenas possível falar de verdades, tantas quantas as interpretações variadas do sujeito que toca a realidade”, escreveu.

O texto salienta a comunicação como “fundamental para ajudar a criar condições para que todos possam caminhar: primeiro, facultando o acesso universal, factual e equidistante aos acontecimentos conhecidos”.

“Depois, promovendo o debate transparente e respeitoso entre as diferentes leituras interpretativas acerca dos acontecimentos, sem manipulações, em ordem à intervenção consciente, livre e responsável de cada uma sobre a realidade”, indicou.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Neste processo, o bispo valoriza a importância do “papel de escrutínio e exposição pública e transparente a fim de que o que importa a todos não fique refém dos interesses de alguns”.

Todavia, acrescenta, nesse caso já não se está “apenas no campo do compromisso com a verdade mas também, e mormente, no da procura do bem comum”.

“Este bem de todos é superior à soma do bem de cada um. Mas, por isso mesmo, não pode suprimir este último. Assim, a comunicação não deve confundir escrutínio do que é de interesse público com constante exposição mediática”, sublinhou.

D. José Pereira observa que “muitas vezes, o respeito pelo bem de cada um (com os seus tempos e vulnerabilidades), e a possibilidade de se chegar a consensos alargados supõem, quando não exigem, reserva face à exposição pública”.

“A reserva da intimidade, da divulgação de dados e de imagem, e o direito à presunção de inocência, ao acesso à justiça (que proteja da justiça popular e condenação na praça pública) e à (re)integração social são bens protegidos que a comunicação deve defender”, evidenciou.

Voltando à mensagem do Papa para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o bispo realçou que “além do imperativo ético face à defesa da dignidade da pessoa e ao respeito pela personalidade de cada um, a comunicação tem também uma dimensão de anúncio do que se apresenta como boa notícia para os povos”.

A comunicação não é apenas informação, nem se esgota na formação para um pensamento esclarecido e comprometido. Ela é também proclamação desenvergonhada, qual partilha de um tesouro que se põe à disposição de todos quantos o queiram, do rosto e da voz de Deus, bem maior para todos”, enfatizou.

No final da mensagem, D. José Pereira enfatiza que a “comunicação deve servir o salutar encontro e convivência entre diferentes visões, consciente que por detrás das mesmas estão sempre vozes e rostos que é preciso preservar”.

LJ

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