Moçambique: Bispos condenam ataques em Cabo Delgado e exigem ação do Governo

Conferência Episcopal alerta para risco de alastramento do radicalismo

Foto: Diocese de Pemba (Facebook)

Maputo, 14 mai 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Moçambique exigiu o fim da violência em Cabo Delgado, alertando para o extremismo e a violência que afetam a região.

“Condenamos com veemência todas as formas de extremismo violento e de manipulação das populações, especialmente dos jovens, adolescentes e crianças — em nome de interesses religiosos, económicos, ambições de poder e exploração das riquezas naturais”, assinala a mensagem, assinada por D. Inácio Saure, presidente da CEM, com data de 13 de maio.

O documento do Secretariado-Geral do episcopado católico no país lusófono intitula-se “Nota Pastoral dos Bispos Católicos de Moçambique de repúdio aos ataques contra as comunidades cristãs e de solidariedade com a Província de Cabo Delgado”.

Os bispos apelam à intervenção das autoridades estatais para garantirem a segurança, alertando para os evidentes sinais de alastramento do conflito a outras zonas da região norte do país.

“Propomos que as autoridades competentes do país tomem uma decisão corajosa para pôr o fim imediato à intolerância religiosa, que hoje se manifesta sob a forma de ódio contra os cristãos”, adverte o documento.

O episcopado manifesta solidariedade para com a Diocese de Pemba e as famílias deslocadas, recusando qualquer tentativa de instrumentalização da religião e a manipulação das populações locais.

“Quem destrói uma igreja ou outro lugar de culto ataca inocentes e não serve a Deus, pelo contrário, fere gravemente a humanidade”, refere a CEM.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, enfrenta uma insurgência armada desde 2017, com ataques recorrentes contra civis, infraestruturas e atividades económicas.

A mensagem da Conferência Episcopal evoca o histórico de convivência pacífica entre cristãos, muçulmanos e religiões tradicionais no país, convidando a sociedade civil a permanecer unida na promoção da reconciliação e do diálogo.

“Exortamos todas as comunidades religiosas, autoridades civis, organizações da sociedade e pessoas de boa vontade a permanecerem unidas na promoção da paz, do diálogo, da justiça social e da reconciliação nacional. O futuro de Moçambique não pode ser construído sobre a violência, mas sobre a confiança mútua, a verdade, a tolerância e o respeito pela dignidade de cada pessoa”, apontam os bispos.

OC

Partilhar:
Scroll to Top