«As nossas tradições convidam-nos a purificar os nossos corações da hostilidade, a transcender fronteiras e a reconhecer-nos uns aos outros como membros de uma única família humana», assina Prefeito do Dicastério da Santa Sé

Cidade do Vaticano, 11 mai 2026 (Ecclesia) – O Prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso convidou os “amigos budistas” a partilhar a responsabilidade de uma “paz desarmada e desarmante” com “gestos de bondade, paciência, na recusa do ódio e da vingança”.
“Como cidadãos e crentes, partilhamos a responsabilidade de promover a paz, desafiar a injustiça e exortar aqueles que ocupam posições de autoridade a não inflamar a divisão, mas a procurar o diálogo em vez do confronto. Devemos também evitar tornar-nos cúmplices através do silêncio ou do medo. Cada comunidade é chamada a crescer como um lugar onde a hostilidade é superada através do encontro, onde a justiça é praticada e onde o perdão é valorizado”, escreveu o cardeal George Jacob Koovakad, numa mensagem por ocasião da Festa budista de Vesak.
A celebração do Vesak é considerada a celebração mais sagrada do budismo, assinalando o nascimento, a iluminação e a morte da vida de Buda.
A missiva, assinada pelo Secretário do mesmo Dicastério, D. Indunil Janakaratne Kodithuwakku Kankanamalage, e tornada hoje pública pela Sala de Imprensa da Santa Sé, convida a “renovamos a esperança de que, através do compromisso comum, budistas e cristãos possam tornar-se cada vez mais testemunhas” da paz “desarmante — uma paz que cura feridas, restaura relações e abre novos horizontes para a humanidade”.
Os responsáveis do Vaticano convidam a uma “paz vivida diariamente — em gestos de bondade, na paciência, na recusa do ódio e da vingança e na coragem de esperar”.
Perante “as sombras que pairam sobre o mundo” – “as guerras, a violência, o crescente nacionalismo étnico-religioso, a manipulação da religião” que conferem a “inquietante sensação de retrocesso”, o Dicastério afirma que o apelo à paz se torna “cada vez mais urgente”.
“As nossas tradições espirituais podem oferecer uma contribuição vital. A bondade é verdadeiramente desarmante; quebra o ciclo da desconfiança e abre caminhos onde nada parecia possível. No seu melhor, as nossas tradições convidam-nos a purificar os nossos corações da hostilidade, a transcender fronteiras e a reconhecer-nos uns aos outros como membros de uma única família humana”, pode ler-se na missiva, com data de 1 de maio.
A partir de um caminho comum, porque “ambas as tradições convergem ao apontar para uma paz que é vivida — uma paz que desarma os corações antes de desarmar as mãos”, a carta convida a “um compromisso com ações concretas”.
“Os líderes religiosos são chamados a ser autênticos parceiros no diálogo e verdadeiros agentes de reconciliação. Juntamente com todos os crentes, somos convidados a tornar-nos artífices da paz — não observadores passivos, mas testemunhas corajosas, capazes de promover o encontro, curar feridas e reconstruir a confiança”, explícita a missiva que tem por título «Budistas e cristãos por uma paz “desarmada e desarmante”».
LS
