Sínodo: Grupo de Estudo pede nova abordagem pastoral à homossexualidade

Relatório conclusivo integra testemunho português

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Cidade do Vaticano, 24 mar 2026 (Ecclesia) – A Secretaria-Geral do Sínodo publicou hoje um relatório que propõe novos caminhos de discernimento para a integração de pessoas homossexuais na Igreja Católica, destacando o testemunho de um leigo português.

O documento do Grupo de Estudo n.º 9 reconhece o sofrimento provocado pela tensão entre a “firmeza doutrinal” e o “acolhimento pastoral”, sugerindo uma mudança de paradigma que deixe de tratar esta realidade como uma questão “controversa” para a assumir como um tema “emergente”.

“Estas posições polarizadas, muitas vezes consideradas inconciliáveis, resultam, por um lado, em profundo sofrimento, feridas pessoais e experiências de marginalização ou ‘vidas duplas’ para crentes com atração pelo mesmo sexo; por outro lado, no seio da vida da Igreja, desencadeiam conflitos, oposições”, advertem os especialistas.

Para ilustrar este desafio, o Vaticano anexou o relato pessoal de um católico de Portugal, que descreve a angústia sentida durante a descoberta da sua sexualidade e a pressão imposta pelo secretismo.

“No meio do cadinho deste isolamento, comecei a sentir o chamamento feroz e amoroso de Cristo à minha integridade e plenitude”, relata o autor do testemunho.

O fiel português denuncia os “efeitos devastadores” das terapias de conversão e a inadequação de certos acompanhamentos espirituais, recordando o momento em que lhe sugeriram o sacramento do matrimónio com uma mulher para “encontrar a paz”.

A partilha evidencia a integração plena e sem preconceitos que o autor, a viver há 20 anos com o seu companheiro, encontrou na Comunidade de Vida Cristã (CVX).

“A minha dificuldade atual é que sinto que a Igreja precisa de ir além do mero acolhimento e piedade, que deveriam ser a base óbvia”, alertou, apelando ao reconhecimento do amor de Deus “por todos”.

O cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, indicou que o método proposto pelo Grupo de Estudo não visa oferecer juízos definitivos, mas construir o bem comum através da escuta atenta das bases.

“Ele oferece-nos instrumentos concretos para enfrentar as questões mais difíceis sem fugir da complexidade: ouvir as pessoas envolvidas, ler a realidade, reunir os conhecimentos”, explicou.

A terceira parte do relatório aplica a mesma matriz de discernimento ético-teológico à experiência da não-violência ativa, dando o exemplo de um movimento de resistência pacífica de jovens na Sérvia.

O Grupo de Estudo nº 9 propõe uma mudança na maneira como a Igreja aborda as questões doutrinárias, pastorais e éticas mais difíceis, introduzindo o “princípio da pastoralidade”.

Os relatórios finais e breve síntese em cinco idiomas estão disponíveis no site da Secretaria-Geral do Sínodo.

Os grupos de estudo foram instituídos por mandato do Papa Francisco, no início de 2024, no período que mediou as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema da sinodalidade.

A decisão confiou a peritos de todos os continentes uma série de questões com implicações teológicas, pastorais e jurídicas complexas, para um maior aprofundamento.

Leão XIV determinou que estes relatórios finais sejam tornados públicos de forma progressiva, numa iniciativa que se iniciou a 3 de março.

OC

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