Angra: Conselho Pastoral Diocesano sugeriu desenvolver uma pastoral do «bater à porta»

Órgão de consulta do bispo procurou responder «com realismo e coragem aos desafios» das «profundas» mudanças sociais

Foto: Igreja Açores

Angra do Heroísmo, Açores, 02 mai 2026 (Ecclesia) – O Conselho Pastoral Diocesano de Angra retomou “a ideia da abertura e de uma Igreja em saída” e sugeriu “uma pastoral do ‘bater à porta’”, na Assembleia Plenária realizada no Centro Pastoral Pio XII, em Ponta Delgada.

“A Igreja deve ser uma presença efetiva no mundo, que tenha relevância, que influencie as decisões, com vista ao bem-comum. Para tal importa fazer memória da pedagogia da ‘Ação Católica’- ver, julgar e agir -, para conhecer os contextos e saber como atuar”, lê-se no comunicado do secretariado permanente do órgão de consulta do bispo de Angra, enviado este sábado, 2 de maio, à Agência ECCLESIA.

No Conselho Pastoral Diocesano de Angra, que reuniu de 30 de abril a 2 de maio, retomaram “a ideia da abertura e de uma Igreja em saída”, que procura ir ao encontro, “sobretudo, dos que mais precisam e dos que se afastaram”, e foi sugerida “uma pastoral do ‘bater à porta’”, que deve ser desenvolvida pelas comunidades, com leigos voluntários.

“Assumem-se como prioridade as questões relacionadas com o diálogo ecuménico e inter-religioso. O cristão tem de ser um sinal de esperança e dar um testemunho de alegria”, e, para isso, este conselho do bispo diocesano, reafirmou “a necessidade de ser reforçada a oferta de espaços que promovam experiências espirituais”, que fundamentem o primeiro anuncio “e consolidem a caminhada de fé”, a partir das necessidades das famílias e dos jovens.

Segundo o comunicado, há experiências na Diocese de Angra que “precisam de ser revitalizadas” – os Retiros Shalom, Cursilhos e Retiros do Movimento da Mensagem de Fátima -, e outras que podem ser “adotadas pela sua novidade”, e adequação ao momento atual, como a ‘Oração de TZ’, ao estilo da comunidade ecuménica de Taizé (França), os Grupos Alpha.

O Conselho Pastoral Diocesano informa também que se “abre um novo tempo de continuidade do que foi concretizado”, terminado o primeiro ano (2024/2025), intitulado ‘Cristão, que dizes de ti mesmo’, centrado no Batismo, do primeiro triénio da Diocese de Angra, até ao jubileu dos seus 500 anos, em 2034.

“Com ritmos diferentes conforme as diferentes geografias, dando início ao segundo ano centrado no tema ‘Como chegar à outra margem’. Este novo tempo visa uma reflexão sobre a missão da Igreja junto dos que sendo batizados se afastaram e de todos os que não se aproximam”, acrescenta.

Foto: Igreja Açores/CR

Esta reunião, destaca o comunicado, foi marcada por “um forte sentido de abertura e renovação”, refletindo sobre si própria, a Igreja não fez “um exercício de autorreferencialidade”, mas debateu “novas formas de ser Igreja”.

“Procurando responder com realismo e coragem aos desafios que as profundas mudanças sociais colocam. Sinal foi a valorização de um verdadeiro exercício de escuta, que incluiu a presença e o testemunho de alguém que se considera mais afastado da vivência eclesial”, desenvolve.

“Ser profético hoje implica ter a coragem de questionar caminhos instalados, denunciar tudo aquilo que fere a dignidade humana e anunciar, com esperança, horizontes novos de justiça, fraternidade e sentido.”

O órgão de consulta do bispo diocesano contribuiu também para a reflexão sobre a criação de Unidades Pastorais, e os critérios para o acolhimento de pais e padrinhos no Sacramento do Batismo, dois temas que estão em estudo nesta diocese.

A Diocese de Angra explica que o Conselho Pastoral Diocesano reúne leigos, presbíteros e consagrados, na maioria representantes das estruturas da diocese, como serviços, ouvidorias (conjunto de paróquias), ou os movimentos de apostolado, lê-se no portal online ‘Igreja Açores’.

CB

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