Bispo de Setúbal explica que documento «muito importante» para as dioceses portuguesas, «sai das mãos, do sangue, do sabor e das lágrimas de muitos jovens no país inteiro»

Porto, 02 mai 2026 (Ecclesia) – O cardeal D. Américo Aguiar falou de ‘Redes que viajam: da JMJ 2023 à JMJ 2027 Seul’, num encontro do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), onde foi apresentado o ‘Quadro de Referência’ deste setor, este sábado, no Porto.
“A existência de um documento de foco, um documento de baliza, um documento de estrutura nesta área, eu acho que é muito importante, e temos que agradecer aos jovens, foi feito por eles, e é para eles”, disse o bispo de Setúbal, em declarações aos jornalistas, esta tarde, na Alfandega do Porto.
D. Américo Aguiar destacou a importância de os jovens terem contribuído para o ‘Quadro de Referência para a Pastoral Juvenil’, apresentado hoje pelo DNPJ da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), porque é a importância de “colocar os protagonistas nas pessoas certas”, e perder-se a “tentação de adiantar umas pastorais, com meia dúzia de sábios”.
“Este documento também é exatamente isso, que os jovens sejam capazes de fazer análise da realidade das suas vidas, e que nos proponham os caminhos que querem trilhar, e estamos juntos para o fazer”, acrescentou.
Neste sentido, cardeal D. Américo Aguiar agradeceu aos jovens que “de uma maneira sinodal fizeram a caminhada para este documento, com a ajuda de profissionais, com a ajuda de especialistas”, mas é um documento que “sai das mãos, do sangue, do sabor e das lágrimas de muitos jovens no país inteiro”, com o Departamento Nacional da Pastoral da Juventude, “e, só por isso, é um documento muito importante”.
“Eu acho que em tudo ajuda os alicerces e este documento não deixa de ser alicerce, para aquilo que é caminhada que é preciso fazer, e também para termos uma noção de corpo, porque às vezes, nós somos 21 dioceses, incluindo as Forças Armadas, cada um faz o seu caminho, umas têm muitos jovens, muita capacidade, quadros, recursos humanos, outras não têm”, assinalou.
O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), reuniu “cerca de 200 jovens”, no encontro ‘Porto de Partida’, onde apresentou o documento que “propõe linhas orientadoras para a renovação da ação pastoral junto dos jovens”, com um programa com três momentos que promoveram “o diálogo entre diferentes gerações e áreas da sociedade”: política, associativismo, Igreja, inclusão e setor empresarial.
O cardeal D. Américo Aguiar, que foi o presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, apresentou as ‘Redes que viajam: da JMJ 2023 à JMJ 2027 Seul’, a próxima edição internacional da Jornada da Juventude, de 3 a 8 de agosto de 2027, sob o tema “Tende Coragem, Eu venci o mundo”, na capital sul-coreana.
“Estou convencido que muitos jovens portugueses se sentirão atraídos por ir visitar a Ásia, por ir visitar Seul, e acho que aos portugueses é uma excelente oportunidade de dar um saltinho a Macau para vermos a memória da presença portuguesa”, disse o entrevistado, que contou aos jornalistas ter participado na JMJ Sidney 2008, na Austrália, e a primeira motivação foi “geográfica, cultural, turística, depois a participação leva ao centro e à razão principal”.
D. Américo Aguiar lamentou que “ainda não está resolvida a tramitação” de uma jornada para a outra, o pós-jornada que “é sempre um momento de um misto de deserto e de terras movediças”, e, como exemplo, explicou que após a JMJ Lisboa viram que não conseguiram manter nesta caminhada os jovens dos comités paroquiais, vicariais, e diocesanos, que foram “descobrir debaixo das pedras, nos locais menos óbvios”.
“Fico feliz por o Departamento Nacional não ter perdido a rede, não ter desistido, e estamos outra vez em contagem decrescente. Há dias marcaram-se os 500 dias para Seul, e estou convencido, aliás, como sempre me convenci, a jornada é projeto de Deus, por isso, por muito que nós falhemos, Deus providencia, e está garantida”, realçou o bispo de Setúbal.
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