UCP: «Teologia gera cultura, a cultura gera conhecimento e dá soluções» – padre Luís Rodrigues

Dia Nacional da Faculdade  junta comunidade educativa e alunos dos polos de Braga, Lisboa, Porto e ensino à distância

Foto: Agência ECCLESIA/LS

Lisboa, 30 abr 2026 (Ecclesia) – O diretor da Faculdade de Teologia disse hoje que a ciência teológica “não faz manchetes nem sai na primeira página” mas que a sua influência se percebe na investigação e no diálogo com outros saberes.

“A Teologia, como qualquer ciência, não se discute nem faz a sua influência através do espaço mediático. O espaço mediático não tem tempo. A nossa influência vem pela pesquisa, vem pela investigação, dos nossos centros, cujos projetos dialogam com saúde, dialogam com economia, dialogam com literatura, dialogam com aquelas áreas onde o ser humano se interroga e onde queremos encontrar soluções para os seus problemas”, explicou à Agência ECCLESIA o padre Luís Rodrigues.

O responsável acredita que a Teologia está a “gerar cultura”: “Gera cultura, a cultura gera conhecimento, o conhecimento dá soluções e a Teologia está aí no papel que lhe é próprio, que é ser serva da humanidade, a partir desta grande certeza que nos habita e que é aquela que vem da fé em Jesus Cristo”.

O padre Luís Rodrigues indica o trabalho que a Cátedra Manuel Sérgio – Ética, Desporto e Transcendência está a realizar, juntando à Teologia, homens e mulheres do desporto, ou a ajudar a dialogar com a saúde e o digital.

“Isto acontece todos os dias, mas não tem que ser algo que abre noticiários, nem que vá para a primeira página das notícias. Onde, por exemplo, o digital é visto como um problema, não só como mediação pedagógica, mas como uma fonte de stress e de ansiedade e, por isso, provocador de mal-estar psicossocial. Estamos aí a trabalhar, dialogando com a saúde”, exemplifica.

Foto: Agência ECCLESIA/LS

O campus de Lisboa da Universidade Católica Portuguesa recebeu hoje a celebração do Dia Nacional da Faculdade de Teologia, juntando toda a comunidade educativa.

Um dia, assume o diretor da Faculdade, para que os alunos dos diferentes polos – Lisboa, Porto e Braga – e do ensino à distância possam “interagir, conviver e cultivar relações”.

“A atividade de pensar a Teologia, investigar a Teologia, ensinar a Teologia, hoje, mais que nunca, não se configura a espaços físicos. Temos o nosso edifício, onde precisamos, para trabalhar, para lecionar, para termos as nossas bibliotecas, mas a desmaterialização do ensino e o facto de sermos uma Faculdade da Conferência Episcopal, uma Faculdade única nacional, leva-nos a que tenhamos a alegria de poder servir a totalidade do território, quer o território continental, quer o território insular”, explica.

Alice Amorim, estudante do primeiro ano da licenciatura em Teologia, chega aos bancos da Faculdade depois da sua formação inicial em Ciências Farmacêuticas e de se ter “convertido aos 40 anos”.

“Com a conversão quis ir em busca da verdade. Depois de fazer alguns estudos autónomos percebi que precisava de algo mais profundo e foi isso que me trouxe até aqui, podendo abarcar a vertente filosófica e cristã, porque eu queria conhecer mais sobre este Deus, mais sobre a história da Igreja”, explica à Agência ECCLESIA.

A estudante conta haver mais mulheres a cursar Teologia e fala de um ambiente diverso entre colegas, nas idades e percursos.

João Barroqueiro está no terceiro ano e assume a influência de um professor de Educação Moral e Religiosa Católica na escolha do curso.

“Não sei bem porque estou a estudar Teologia mas tive um professor que dizia coisas muito interessantes, parecia conhecer os fundamentos das nossas ideias enquanto civilização e pensei que gostaria de aprender o mesmo que ele aprendeu”, indica.

O estudante encontrou um espaço para “perguntar” e explica que com a Teologia aprende mais sobre o ser humano.

“Aqui podemos fugir do materialismo que muitas vezes procura responder a tudo. Eu sinto que a coisa que eu aprendo mais com a Teologia é como é que o ser humano funciona verdadeiramente. Acredito que se a Teologia for bem feita, tem o trabalho de desconstruir um bocado as mentiras que a sociedade diz”, afirma.

Foto Professor Doutor Eduardo Vera-Cruz Pinto; Agência ECCLESIA/LS

O padre Luís Rodrigues reconhece no espaço teológico o ambiente para “perguntas essenciais” e para que as respostas sejam ditas no “espaço público”, ajudando o “ser humano não só a encontrar respostas, mas, sobretudo, a descobrir aquelas perguntas que vale a pena responder”.

“Quando se estuda Teologia pode-se começar a estudar uma matéria, mas necessariamente vamos acabar por nos encontrar ou reencontrar com uma pessoa e esta pessoa é Jesus Cristo. E então percebemos que, a partir desta inquietação, a nossa forma de estar no mundo, de viver, de sermos cidadãos, muda por completo. Não exteriormente, mas porque as razões pelas quais fazemos o que fazemos, as opções que tomámos e as opiniões que temos sobre a existência têm uma outra latitude, têm uma outra compreensão”, finaliza.

A manhã contou com uma conferência sobre ‘A influência do Direito Romano no Ocidente’, do professor Eduardo Vera-Cruz Pinto e com a entrega de prémios de mérito universitário; o dia vai ser encerrado com uma celebração litúrgica na igreja Nossa Senhora de Fátima, presidida pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério.

LS

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