Vaticano: Igreja continua a recusar «sacralização da força das armas», diz embaixadora de Portugal junto da Santa Sé

Maria Amélia Paiva evoca legado de Francisco, falecido há um ano, e elogia intervenções de Leão XIV

Foto: Vatican Media

Roma, 19 abr 2026 (Ecclesia) – A embaixadora de Portugal junto da Santa Sé afirmou hoje que a Igreja Católica mantém a sua matriz de paz e recusa a prioridade da força bélica perante os conflitos internacionais.

“A clareza dele [Papa Leão XIV] é ter o Evangelho como bússola, e é daí que vem a clareza das intervenções do Papa”, disse Maria Amélia Paiva, em entrevista conjunta à Renascença e à Agência ECCLESIA, emitida e publicada este domingo.

A diplomata analisou a postura da Santa Sé na atual conjuntura geopolítica, enaltecendo a linha de continuidade e a “prudência” do novo pontífice norte-americano.

A poucos dias de se assinalar o primeiro aniversário do falecimento do Papa Francisco, a 21 de abril, a responsável evocou o vasto legado do pontífice argentino.

“O legado do Papa Francisco é um legado muito importante, é um legado de um pontificado que foi muito marcante”, sublinhou.

A representante portuguesa destacou a opção do anterior pontífice em residir na Casa de Santa Marta como um gesto que humanizou a figura papal e a aproximou dos mais vulneráveis.

“Muitos consideram tratar-se de um pontificado de uma revolução gentil ou suave”, indicou a entrevistada.

O pontificado de Francisco , entre 2013 e 2025, ficou assinalado por uma profunda alteração estrutural na Cúria Romana, impulsionando a presença feminina em cargos de liderança no Vaticano.

“Implementou mudanças estruturais para uma maior transparência financeira, controlos rigorosos contra a corrupção, enfim, uma reforma também aí estrutural e muito relevante”, sustentou a embaixadora.

Maria Amélia Paiva enalteceu a adoção de uma política de “tolerância zero” nos casos de abuso sexual, bem como a centralidade do cuidado pela casa comum, expressa na encíclica ‘Laudato Si’ (2015).

O impacto da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa (2023) representou um momento decisivo para o revigorar das relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé.

“A JMJ foi um grande sucesso, foi um grande sucesso de uma colaboração muito vasta, de muitos que contribuíram para isso”, apontou a embaixadora.

O Estado português formalizou um convite oficial para que Leão XIV visite o país, existindo uma vontade papal na sua concretização.

“Sim, o gostar de vir é claríssimo, é claríssimo”, confirmou Maria Amélia Paiva.

A Concordata assinada entre Portugal e a Santa Sé, em 2024, é o documento orientador no trabalho conjunto e a partilha de princípios éticos na esfera internacional.

“E, por isso, estou em crer que [as relações bilaterais] vão continuar a ser, como têm sido até aqui, relações de grande profundidade, havendo, claramente, a intenção de continuar a aprofundá-las das formas mais diversas”, concluiu.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

Partilhar:
Scroll to Top