Igreja/Portugal: «Padres do Prado» estão reunidos em assembleia nacional eletiva

Foto: Padres do Prado de Portugal (arquivo)

Angra do Heroísmo, Açores, 14 abr 2026 (Ecclesia) – Os ‘Padres do Prado’ em Portugal estão a realizar a sua assembleia nacional, na Diocese de Angra (Açores), até quinta-feira, dia 16 de abril, onde participa o superior geral, e dois sacerdotes portugueses vão fazer o compromisso temporário.

“O Prado não existe para si mesmo, mas para a Igreja. É uma vocação que nos ajuda a viver melhor o nosso ser padre, no presbitério, e junto dos que mais precisam”, explicou o padre Emanuel Valadão Vaz, sacerdote açoriano, responsável dos ‘Padres do Prado’ em Portugal, citado pelo portal online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.

Nesta assembleia geral dos ‘Padres do Prado’ Portugal, onde vai ser eleita a nova equipa coordenadora, os participantes estão a refletir sobre a ação do Espírito Santo na vida do mundo, e na vida e missão dos sacerdotes, como os desafios da evangelização, a vivência deste carisma, e a forma de o tornar mais presente junto de outros padres, adiantou o responsável nacional.

Os trabalhos começaram esta segunda-feira, têm lugar de 13 a 16 de abril, em Angra do Heroísmo, nos Açores; dois sacerdotes, das Dioceses de Angra e de Coimbra, vão fazer o seu compromisso inicial, temporário, de quatro anos.

O superior-geral dos ‘Padres do Prado’, que participa nesta assembleia magna da associação em Portugal, explicou que a identidade sacerdotal enfrenta vários desafios profundos, que colocam à prova a sua autenticidade e coerência, o primeiro “nasce no interior do próprio sacerdote, quando perde o centro em Cristo, e se instala uma divisão entre vida e ministério”.

Segundo o padre Diego Martín Peñas, natural de Ávila (Espanha), o contexto eclesial atual, especialmente com a redescoberta da sinodalidade, pode dar origem a interpretações desequilibradas: por um lado, a diluição da identidade sacerdotal, por outro, o ressurgimento de atitudes clericais que reforçam uma visão de poder.

“Trata-se de viver em equilíbrio, reconhecendo-se como irmão entre irmãos, mas também como sinal específico de Cristo no meio da comunidade, assumindo com simplicidade a própria vocação”, acrescentou o responsável mundial dos ‘Padres do Padro’, desde 8 de julho de 2025.

A sociedade secularizada, salientou o sacerdote espanhol, é um desafio significativo, num ambiente marcado pela “aridez espiritual”, e a espiritualidade do Prado ganha força na sua relação com os pobres, que “estão no centro, porque são um sinal da presença de Jesus Cristo, mestres do Evangelho”, os podres oferecem “o Evangelho vivido”, enquanto o sacerdote traz “o Evangelho pregado”.

O superior-geral dos ‘Padres do Prado’ destacou também que “espiritualidade e ministério pastoral” são duas dimensões que “devem ser vividas em conjunto na identidade sacerdotal”, indicando que “quando o sacerdote reza, já está a ser missionário”.

“A oração faz parte da missão, é o início da missão do sacerdote”, acrescentou o padre Diego Martín Peñas, ao portal online ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.

Os ‘Padres do Prado’ foram fundados pelo Beato Antoine Chevrier (1826-1879), que propôs o ideal ‘sacerdotes pobres para os pobres’; o sacerdote francês da Diocese de Lyon começou uma obra de evangelização dos pobres no “salão de baile ‘El Prado’”, foi beatificado por São João Paulo II, a 4 de outubro de 1986.

Esta associação encontra-se em Portugal desde a década de 1960, conta com sete padres com compromisso definitivo, três a caminho de compromisso temporário, e um grupo de leigos que partilham desta espiritualidade.

CB/OC

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