Vaticano: Secretário de Estado condena corrida ao rearmamento e pede eliminação de arsenais nucleares

Cardeal Parolin alerta para ilusão dos «equilíbrios impostos pelo mais forte»

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 08 abr 2026 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano condenou hoje a corrida ao rearmamento e apelou à mobilização de vozes pela paz, numa entrevista publicada pela revista cultural da Ação Católica Italiana.

“É uma utopia pensar que a paz seja garantida pelas armas e pelos equilíbrios impostos pelo mais forte, em vez de acordos internacionais”,disse o cardeal Pietro Parolin, em declarações à revista “Dialoghi”.

O colaborador do Papa manifestou preocupação com a suspensão de tratados de redução de armamento atómico, alertando para o risco de aniquilação da vida no planeta através da construção de instrumentos letais.

“Nós acreditamos firmemente que os arsenais devem ser esvaziados, a começar pelos nucleares”, apontou.

O responsável diplomático da Santa Sé identificou uma crise na capacidade de diálogo das nações e alertou para o impacto da guerra na Ucrânia.

“Tenho a impressão de que não se percebe suficientemente a devastação que esta guerra provocou na Ucrânia, o enorme preço em vidas humanas, a destruição das cidades e das infraestruturas”, observou, em declarações divulgadas também pelo portal de notícias do Vaticano.

O cardeal Parolin lamentou que o direito internacional seja frequentemente ignorado ou invocado apenas por conveniência.

“Parece ter desaparecido a consciência do valor da paz, a consciência da tragédia da guerra, a consciência da importância de regras compartilhadas e de respeitá-las”, advertiu.

O secretário de Estado abordou a postura da administração norte-americana, apontando incongruências na defesa de valores religiosos que excluem o acolhimento de migrantes e a proteção da vida em todas as suas fases.

“Não podemos dizer que amamos e defendemos a vida e preocuparmo-nos apenas com a dos nascituros, sem considerar que também é vida a dos migrantes que morrem no mar”, disse.

Relativamente ao futuro da Faixa de Gaza, o cardeal italiano reiterou a importância da participação de organismos internacionais e da própria população palestina em qualquer processo de paz, rejeitando tentativas de anexação de territórios.

“Não é possível decidir o futuro da Faixa de Gaza ignorando seus legítimos habitantes, que são cidadãos do Estado da Palestina, uma entidade a ser salvaguardada contra qualquer tentativa de anexação, o que é contrário às resoluções das Nações Unidas e aos princípios básicos da justiça”, sustenta.

OC

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