Tema vai estar em destaque no encontro/peregrinação de médicos católicos, que vai realizar-se em Fátima
Lisboa, 08 abr 2026 (Ecclesia) – Diogo Cunha e Sá, da Federação Europeia das Associações de Médicos Católicos, rejeita a ideia da eutanásia como solução e defende o empenho em cuidados paliativos de qualidade e respostas sociais para evitar esta prática.
“É muito importante que toda a sociedade, que os serviços de saúde, se organizem, por um lado com cuidados paliativos de qualidade, por outro com respostas sociais adequadas para que estes doentes tenham outros apoios, que não podem ser dados nos hospitais, e portanto, tudo isto são formas de ajudar estas pessoas e, de certa forma, de contornar aquilo que não é uma solução, que é a eutanásia”, afirmou.
Em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2, Diogo Cunha e Sá abordou a realidade da saúde em Portugal, cuja esperança de vida aumentou, o que significa que as “pessoas vivem cada vez mais”, mas também em situações de “dependência” e “solidão”.
“Os hospitais do SNS têm muitos doentes. Arriscaria dizer que provavelmente entre 15 a 20% das taxas de ocupação dos hospitais são com doentes que já tiveram alta clínica, mas que não têm para onde ir naquele momento e que aguardam respostas sociais”, indicou.
O membro da Federação Europeia das Associações de Médicos Católicos observa que estes pacientes, sozinhos no hospital, por períodos de tempo prolongados, sem a família, amigos e apoio, poderão “ser tentados a pedir ajudas que não são na verdade ajudas, para colocar fim à vida”.
A Eutanásia vai ser um dos temas em debate no encontro/peregrinação de médicos católicos, em Fátima, que tem início na sexta-feira e conclusão no domingo.
Em Portugal, a lei foi aprovada, mas a regulamentação não avançou porque o presidente da República submeteu ao Tribunal Constitucional que encontrou várias irregularidades.
Questionado sobre se a questão pode ser retomada com o novo mandato presidencial, Diogo Cunha e Sá, da comissão organizadora do encontro, hesita: “Tenho algumas dúvidas do ponto de vista legal, do ponto de vista médico e ético, então tenho muitas dúvidas sobre a utilidade desta lei tal como ela é vista”.
“Às vezes há muita confusão no meio da sociedade entre a eutanásia e aquilo que a prática médica não faz mais, que é o encarniçamento terapêutico, que é prolongar a morte, portanto, isso é má prática, mas isso não pode ser confundido com uma ação deliberada, intencional, para acabar com a vida, que é, na verdade, aquilo que é a eutanásia”, referiu.
Em Espanha, um caso recente de eutanásia envolveu Noelia Castilho, uma jovem de 25 anos que foi vítima de abusos sexuais e tentou o suicídio acabando por ficar paraplégica.
Referindo-se à situação, o médico Diogo Cunha e Sá considera uma “tristeza enorme” que pessoas que precisam de ajuda não sejam acompanhadas.
“Mais uma vez, revela aquilo que é uma rampa escorregadia, que, na verdade, a eutanásia é apresentada para casos extremos de sofrimento extremo, mas depois a porta fica aberta para outras situações e, em última análise, ficará até difícil, amanhã ou depois, impedir que qualquer cidadão não tenha acesso à eutanásia”, mencionou.
Promovido em conjunto pela Associação dos Médicos Católicos Portugueses, como entidade anfitriã, a Sociedade/Associação Croata de Médicos Católicos e a Federação Europeia das Associações Médicas Católicas (FEAMC), o simpósio do encontro/peregrinação em Fátima que aborda esta questão vai decorrer na Sala de Conferências do Hotel Cinquentenário, em Fátima.
“É também uma oportunidade que vai nesse sentido, de dar a importância que deve ser dada à defesa da vida, em todas as suas etapas, até ao seu final”, assinalou Diogo Cunha e Sá.
PR/LJ/OC
Pastoral da Saúde: Médicos católicos realizam encontro/peregrinação ao Santuário de Fátima
