Frei Francesco Patton inspirou-se na experiência junto das populações da Terra Santa

Cidade do Vaticano, 03 abr 2026 (Ecclesia) – As meditações da Via-Sacra no Coliseu de Roma, que se celebra hoje, vão refletir sobre o sofrimento provocado pela guerra no Médio Oriente, revelou o autor dos textos, o franciscano Francesco Patton.
“Nas reflexões e nas orações, fica evidente que a inspiração vem também da realidade atual e de pessoas concretas nas quais — nestes anos — pude rever os personagens da Via-Sacra”, disse o religioso ao portal de notícias do Vaticano.
O antigo custódio da Terra Santa explicou que a redação das orações se inspirou em figuras contemporâneas e nas vítimas dos atuais conflitos armados.
“Falarei do sofrimento das mães e das mulheres, evidente, marcado, mulheres sobre as quais até mesmo ‘L’Osservatore Romano’ escreveu e que encarnam hoje a figura de Maria, de Verônica, das mulheres de Jerusalém”, adiantou.
Frei Francesco Patton detalhou a associação entre as estações do percurso e os rostos das mulheres marcadas pela dor ou dos profissionais humanitários que arriscam a vida no terreno.
A escolha do religioso da Ordem dos Frades Menores para a redação dos textos da Sexta-feira Santa coincide com a celebração do oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis.
“Concretamente, fui contatado pela Secretaria de Estado, que me informou que o Santo Padre, por ocasião do oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, lhes havia dado a orientação de me pedir que preparasse as meditações”, precisou.
O percurso, presidido pelo Papa Leão XIV, pretende denunciar as consequências do abuso de poder, transmitindo simultaneamente uma mensagem essencialmente religiosa e de esperança.
“A mensagem é essencialmente religiosa e visa expressar a proximidade de Jesus Cristo, como Filho de Deus encarnado, com cada pessoa humana”, indica o autor das meditações.
O frade franciscano aborda o cenário global de instrumentalização política da fé, alertando para o ressurgimento de movimentos armados que justificam a violência com motivos religiosos.
Hoje, os ‘zelotes’ estão por toda a parte: encontramo-los no mundo muçulmano, através de uma infinidade de movimentos fundamentalistas armados; encontramo-los no mundo judaico, e eles estão bem representados pelos colonos e por aqueles que os apoiam politicamente, tanto a nível local quanto internacional; também os encontramos entre os cristãos.”
Para o religioso, ser cristão na Terra Santa é “uma vocação e uma missão”.
“Somos chamados a mostrar o rosto misericordioso de Deus, que acolhe todas as pessoas sem distinção de género, nacionalidade e religião”, declarou.
Frei Francesco Patton foi custódio da Terra Santa entre 2016 e 2025.
Leão XIV vai levar a Cruz em todas as estações da Via-Sacra, a primeira a que preside na Sexta-feira da Semana Santa, no Coliseu de Roma, a partir das 21h15 (menos uma em Lisboa).
OC
