Porto: «Os conflitos, divisões e injustiças não são uma fatalidade» – D. Manuel Linda

Bispo diocesano alerta para a necessidade de «purificar relações» na Igreja e indica a Eucaristia como possibilidade de «fazer deste um mundo novo»

Foto: Voz Portucalense/Rui Saraiva

Porto, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo do Porto presidiu hoje à Missa da Ceia do Senhor, na Sé, e disse que a Eucaristia é condição para “fazer deste um mundo novo”, lembrando que os conflitos “não são uma fatalidade”.

D. Manuel Linda lembrou que “a divisão e o ódio são obras do diabo que levam à arbitrariedade, à aniquilação do outro, à guerra estudada ‘cientificamente’ para matar e destruir e ao viver como se Deus não existisse’”, refereindo que o “mundo precisa de unidade”.

“Quando os cristãos a edificam e a mostram, transmitem a esse mundo a notícia alegre de que os conflitos, divisões e injustiças não são uma fatalidade, mas é possível uma humanidade-família, uma sociedade edificada à maneira da Igreja, Corpo Místico de Cristo, e uma fraternidade regida pelos vínculos da alegria, da colaboração, da simpatia e da atração pelo bem”, afirmou.

Temos de começar por purificar relações dentro da própria Igreja, da comunidade dos crentes. Não estamos isentos de pecado. Entre nós, também pode reinar a mentalidade do mundo: divisão, competição, inveja, cálculo, pretensão, intriga e disputa de interesses”.

O bispo do Porto lembrou que, dentro da Igreja, também é possível “contribuir para a dilaceração do mundo e para a ruina do povo de Deus”, apontando para

o “dom da comunhão”, que “não é apenas um estilo de vida, mas tem de ser gerado e continuamente alimentado na inserção na Igreja.

D. Manuel Linda referiu-se ao síndo na Diocese do Porto, que “está em processo” e terá por lema “Ser Porto: formar, reformar, transformar”, sublinhando que a sinodalidade convida a a reconhecer a presença do Ressuscitado nas relações fraternas, muitas vezes marcadas pela cruz e pela fragilidade humana”.

“Requer uma conversão contínua, o ‘esvaziamento’ do nosso egoísmo, para dar espaço aos outros e ao Espírito. Sendo nós, hoje, um ‘pequeno rebanho (Lc 12, 32), as comunidades cristãs não podem viver de números, mas de adoração e caridade; não dependem da abundância de meios humanos, mas da vida abundante de Jesus”, afirmou.

Na celebração que celebra a instituição da Eucaristia, com o rito do lava-pés, o bispo do Porto apontou para a centralidade do “Santíssimo Sacramento” e convocou a diocese para a celebração do Corpo de Deus.

“Quando, daqui a um mês, celebrarmos o Corpo de Deus, venhamos para a rua dizer a todos que só a comunhão ou comum união no seu Corpo e no seu Sangue pode renovar a Igreja, fazer deste um mundo novo e elevar a nossa materialidade até à glória da pura espiritualidade”, concluiu.

PR

Partilhar:
Scroll to Top